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Alckmin estabelece relação com o MST

27 de setembro de 2015 Política Política.
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Alckmin e MST Foto Reprodução
O MST evita tratar a aproximação com Alckmin sob o prisma ideológico. “Nossos princípios não estão na mesa de negociação. Além disso, há muitos PSDBs. Há setores do partido contrários ao MST, mas o Alckmin nos abriu uma porta.” (Foto: Reprodução)

SÃO PAULO – O Movimento dos Sem Terra (MST) enviará uma comitiva amanhã, 29, ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, mas desta vez, diferentemente do que costumava ocorrer ao longo das últimas décadas, não será para protestar do lado de fora. Há quatro anos, após ser eleito novamente governador, Geraldo Alckmin assumiu sob pressão do movimento – e retribuir prometendo “tolerância zero” com invasões de terra. Agora reeleito, o tucano e os sem terra, aliados históricos do PT, vivem uma espécie de lua de mel.

No encontro de amanhã, 29, cinco secretários (Agricultura, Meio Ambiente, Justiça, Educação e Casa Civil) receberão os militantes para uma reunião de trabalho no gabinete de Edson Aparecido, chefe da Casa Civil.

No momento em que a presidente Dilma Rousseff se distancia dos movimentos sociais devido aos cortes de programas decorrentes do ajuste fiscal, Alckmin seguiu no caminho oposto. Desde o ano passado, o governador promoveu três grandes reuniões com o MST. Na primeira delas, em abril, ele participou pessoalmente, levou consigo todos os 27 secretários e abriu as portas do governo para Gilmar Mauro, visto como um dos mais radicais líderes sem terra – representante de São Paulo na coordenação do movimento. Em contrapartida, ganhou o apoio político do movimento. “É uma relação política. Uma relação boa. Principalmente agora”, disse Gilmar Mauro.

Assentamentos

Apesar do rigoroso contingenciamento promovido pelo governo paulista em quase todas as áreas, Alckmin manteve a previsão de investir R$ 7 milhões em 2015 em programas de poços artesianos e poças sépticas nos 136 assentamentos do MST. Ao todo, 7 mil famílias são atendidas pelo governo com assistência técnica.

“A relação do MST conosco se estreitou na medida em que adotaram uma posição crítica em relação ao Incra e ao governo federal”, afirmou Aparecido. O MST confirma a tese do tucano. “O governo federal sinaliza exatamente no sentido oposto não só ao nomear Katia Abreu (ruralista, ministra da Agricultura), mas em toda a política econômica”, avaliou Gilmar Mauro.

Os resultados da aproximação já são visíveis. “As ocupações vem caindo. Antes (da gestão Alckmin) eram cerca de 70 por ano, hoje a média é 35”, disse Marco Pilla, diretor executivo do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp).

O namoro improvável foi concretizado na reunião de abril de 2014 em que Alckmin levou todo o secretariado. Na ocasião foi traçado um plano de atuação multidisciplinar. Cinco meses depois, o governador conseguiu uma façanha inédita: venceu a eleição em todas as regiões com assentamentos do MST. “Eles fizeram muito a campanha da Dilma e do Geraldo. A gente sempre perdia em municípios onde tinha assentamento, mas dessa vez ganhamos em todos: no Pontal (do Paranapanema), na região de Andradina e no Vale do Ribeira”, disse Aparecido.

Gilmar Mauro diz que a relação apoio/voto não faz parte da equação, mas confirma a existência de um eleitorado tucano nos assentamentos do MST. “Não tenho os dados, mas é um fato que o Alckmin tem voto na base do MST”.

Apesar da relação cada vez mais próxima, tanto o governo como o MST preferem tratar da “aliança” com discrição. Entre os tucanos há o receio que conservador, resista à ideia. “O MST vive às custas do leite que mama no governo federal. Como o leite de lá deve ter diminuído, procuraram outro lugar para mamar mais”, diz o ex-governador Alberto Goldman (PSDB).

‘Oportunista’

Ele conta que, em sua gestão, que antecedeu Alckmin, nunca foi feita uma reunião com movimento no Bandeirantes. Questionado sobre como era sua relação com o MST, a resposta é direta: “Nenhuma”. “Pode ser uma ação oportunista dos dois lados. Do lado do MST mostrando que está indo buscar mais espaços e recursos, e do lado do governo uma postura mais simpática e não dogmática”, disse Goldman.

Já os petistas tratam o tema com maior naturalidade. De acordo com Gilmar Mauro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou o processo de aproximação com o governo Alckmin e em momento algum se opôs. “Lula sabe. Como bom sindicalista ele entende mais do que ninguém que eu, como dirigente, tenho que dar uma resposta à base do movimento.”

O MST evita tratar a aproximação com Alckmin sob o prisma ideológico. “Nossos princípios não estão na mesa de negociação. Além disso, há muitos PSDBs. Há setores do partido contrários ao MST, mas o Alckmin nos abriu uma porta.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos Amazonas Atual, Geraldo Alckmin, invasão, MST, negociação, politica, Reforma Agrária, sem-terra
Valmir Lima 27 de setembro de 2015
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