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Economia

68% dizem que Bolsonaro tem responsabilidade pela alta de combustíveis, mostra Datafolha

28 de março de 2022 Economia
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(Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil)
Por Alexa Salomão, da Folhapress

BRASÍLIA – Para a maioria dos brasileiros, 68%, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) tem responsabilidade pela alta no preço dos combustíveis. A percepção foi identificada pela pesquisa Datafolha.

Para 39%, a gestão bolsonarista tem muita responsabilidade pelo aumento da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Outros 29% consideram que o governo tem ao menos um pouco de responsabilidade. Na avaliação de 30%, o governo não tem responsabilidade.

A pesquisa Datafolha foi realizada na terça (22) e na quarta-feira (23) com 2.556 eleitores em 181 cidades de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos.

O aumento dos combustíveis é uma das maiores preocupações do governo, pois os reajustes, cada vez mais altos, são interpretados como um risco à reeleição do presidente, e tem gerado pressão dentro do próprio governo por uma solução para amenizar o preço para o consumidor final.

No Datafolha, quando se avalia a preferência política do entrevistado, a percepção da responsabilidade do governo pelos aumentos dos combustíveis sofre alterações.

Quem declara intenção de votar em Bolsonaro está dividido. Nesse grupo, 54% acreditam que o governo tem responsabilidade, o percentual mais baixo no recorte que considera intenção voto. Nessa fatia, 44% acreditam que a responsabilidade é pouca, e apenas 14% dizem que o governo tem muita responsabilidade.

Em contrapartida, 43% dos que se declaram eleitores de Bolsonaro afirmam que o atual governo não tem nenhuma responsabilidade pelo aumento no preço dos combustíveis -percentual mais alta entre os que isentam o governo.

Quem declara intenção de votar em candidatos da chamada terceira via está no grupo mais crítico ao governo. Entre os que avaliam votar em Ciro Gomes (PDT), 87% acreditam que o governo Bolsonaro tem responsabilidade pela alta do preço, sendo que 54% dizem que é muita a responsabilidade.

No caso de quem avalia votar em Sergio Moro (Podemos), 79% afirmam que o atual governo tem muita responsabilidade, com 46% afirmando que é muito responsável.

No que se refere a eleitores que declaram preferência por João Dória (PSDB), 71% dizem que o governo tem responsabilidade, sendo que 41% avaliam que é muita.

No grupo que declara votar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 71% também acreditam que o governo tem responsabilidade, mas esse grupo vê uma responsabilidade maior do governo: 51% avaliam que a gestão de Bolsonaro tem muita responsabilidade.

Pelo recorte de religião, os católicos acompanham a média, mas a atenção a posição de outros grupos religiosos.

Entre os evangélicos, segmento que tem muitos bolsonaristas, 64% acreditam que o governo tem responsabilidade, contingente abaixo da média. Entre os espíritas, no entanto, 82% declaram que o governo tem responsabilidade, sendo que 61% dizem que é muita.

No recorte por região, o Sul é o mais insatisfeito, com 72% dizendo que o governo tem responsabilidade na alta dos combustíveis. O Nordeste acompanha a média, mas a maioria, 42%, acredita que o governo tem muita responsabilidade.

Há oscilações importantes também quando se avalia as respostas por ocupação.

Entre assalariados que não têm careira assinada, 74% dizem que o governo tem responsabilidade no aumento dos combustíveis, com 43% afirmando ser muita. Leitura similar é feita por funcionários públicos:73% avaliam que o governo tem responsabilidade, sendo que 43% dizem ser muita.

Entre os desempregados que desistiram de procurar emprego, 72% acreditam que o governo tem responsabilidade, sendo que 46% dizem que é muita.

Quem atua de forma mais independente tem uma visão diferente. Entre os empresários, 65% dizem que o governo tem responsabilidade, um percentual abaixo da média. Entre eles, 35% dizem que é um pouco e 30%, muita. Outros 35% afirmam que o governo não tem responsabilidade.

No caso de autônomos e profissionais liberais, 66% dizem que o governo tem responsabilidade, sendo que 38% afirmam ser muita e 28%, um pouco. Outros 33% afirmam que o governo não tem responsabilidade.

Preocupado com as repercussões do aumento de preços de combustíveis, por meses, Bolsonaro atacou governadores, alegando que o ICMS ajudava a elevar o preço na bomba. Agora, demonstra descontentamento do presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, por ter reajustado os combustíveis, e o mercado teme que haja nova dança das cadeiras na cúpula da empresa.

O preço do barril de petróleo e seus derivados enfrente forte pressão. Após despencar durante a pandemia, quando o isolamento social limitou o trânsito das pessoas em escala global, o valor do óleo e do gás se tornou instável. O cenário piorou com a invasão da Ucrânia pela Rússia, e com a escalada de sanções que se seguiu contra o país governado por Vladimir Putin.

O barril do tipo brent começou o ano cotado a US$ 78. Na semana passada, chegou a bater em US$ 120, e, na manhã desta segunda-feira (28), era cotado a US$ 111,73 (R$ 533,80), com tendência de queda.

A Petrobras chegou a segurar os reajustes por quase dois meses. Quando ele veio, na quinta-feira (10), foi considerado uma pancada, com alta de 24,9% do diesel nas distribuidoras, 18,8%.para gasolina e 16,1% para o gás de cozinha.

Os aumentos chegaram com força aos consumidores. Segundo levantamento da ANP (Agência Nacional de Petróleo), divulgado na semana passada, o litro do diesel era vendido a R$ 6,56, na média. No dia 6, antes do reajuste, custava em média R$ 5,91.

O litro da gasolina, por sua vez, foi de R$ 6,68 para R$ 7,21. Em alguns pontos do país, o litro já chegou a R$ 8,95. O metro cúbico do GNV (Gás Natural Veicular), muito utilizado por motoristas de aplicativos e taxistas, subiu cerca de 46% desde março de 2021.

O botijão do gás de cozinha de 13 kg custa, na média, R$ 113,24. Em meados de setembro do ano passado, quando chegou a R$ 98,33, o preço já era considerado alto para os mais pobres.

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Redação 28 de março de 2022
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