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Economia

Dólar tem maior sequência de altas desde o fim do câmbio fixo, em 1999

4 de março de 2020 Economia
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Dólar fechou o dia cotado a R$ 4,58 e o dólar turismo foi vendido a R$ 4,76 (Foto: Reprodução/Internet)
Por Júlia Moura e Isabela Bolzani, da Folhapress

SÃO PAULO – A cotação do dólar foi ao seu décimo recorde nominal (sem contar a inflação) seguido nesta quarta-feira, 4. A moeda fechou a R$ 4,5810, alta de 1,50%. O turismo está a R$ 4,76 na venda.

A sequência de 11 altas seguidas, sendo 10 recordes, é a maior desde janeiro de 1999, quando o Banco Central encerrou a política do câmbio fixo. O movimento é fruto da aposta de investidores em juros mais baixos no Brasil. O mercado projeta a Selic entre 3,75% e 3,5% ao final do ano.

A pressão no real devido a juros mais baixos no Brasil, que levam o estrangeiro a tirar dólares do país, levou a moeda brasileira a ter o pior desempenho do mundo em 2020, com desvalorização de 14%. Desde 30 de dezembro de 2019, quando a moeda estava a R$ 4,014, o dólar ficou R$ 0,56 mais caro.

A alta do dólar em 2020 já é a quarta maior valorização anual da década e a sétima maior do século. A depreciação do real acompanha a queda da Selic, que já teve cinco cortes no governo de Jair Bolsonaro. De 6,50% ao ano em julho de 2019 a taxa foi para 4,25%.

A Selic na mínima histórica também contribui para o dólar elevado por meio do carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os Estados Unidos, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, o Brasil. Com a Selic a 4,25%, essa operação deixa de ser vantajosa e estrangeiros retiram seus recursos, em dólar, do país, o que eleva a cotação.

Na terça-feira, 3, para amenizar os impactos econômicos do coronavírus, o banco central americano cortou, de maneira inesperada, o juros dos EUA em 0,50 ponto percentual. O movimento abriu margem para o Banco Central brasileiro cortar o juro novamente na próxima reunião de política monetária no dia 18.

Ainda na terça, o BC soltou um comunicado que aumentou ainda mais a expectativa de investidores por reduções na Selic. O banco disse que acompanha a evolução do coronavírus e os recentes movimentos do mercado.

Os acontecimentos levaram a cotação a ter forte alta nesta quarta. Durante o pregão, quando a moeda bateu os R$ 4,56, o BC interveio e anunciou oferta de 20 mil contratos de swap cambial, equivalentes a US$ 1 bilhão, a serem vendidos na quinta-feira, 5.

Na prática, a operação promove o aumento da oferta da moeda, já que o BC oferece contratos que remuneram o investidor pela variação cambial, o que ajuda a reduzir o preço do dólar.

A intervenção, no entanto, não foi o suficiente para acalmar os ânimos do mercado. Segundo analistas e operadores de câmbio, o montante proposto está muito aquém da necessidade de liquidez do mercado.

“O BC está tentando enxugar gelo. Há uma aversão ao risco no mundo inteiro e não é só a influência do coronavírus e das taxas de juros, mas há também uma forte saída de estrangeiros e um cenário doméstico cheio de incertezas”, afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Segundo o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, o dólar também fica cada vez mais fortes em relação a outras moedas e o real acabou ficando ainda mais fraco. Para ele, o cenário de renovação das máximas históricas da divisa americana dificulta ainda mais a percepção de um limite de crescimento para o dólar ante o real. “Já subiu mais do que esperávamos e não dá mais para falar em limite”, diz.

Segundo Galhardo, não há expectativas de grandes quedas no curto prazo. “Não dá mais pra enxergar dólar em R$ 4,20. Ante os atuais acontecimentos, a moeda está mais perto de alcançar os R$ 5 do que continuar em R$ 4,50”, afirma.

A Bolsa brasileira, por outro lado, teve um dia positivo. O Ibovespa fechou em alta de 1,60%, a 107.224 pontos, maior valor desde 21 de fevereiro, antes das fortes quedas do mercado pós-Carnaval.

O índice seguiu o exterior positivo, que também teve sessões de recuperação. Dow Jones subiu 4,53%, S&P 500, 4,22% e Nasdaq 3,85%.

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Assuntos banco central, Câmbio, Dólar
Valmir Lima 4 de março de 2020
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