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Economia

Dados indicam possível virada do mercado de trabalho, diz especialista

26 de setembro de 2019 Economia
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Por Ana Estela de Sousa, da Folhapress

SÃO PAULO – Os números dos empregos formais de agosto divulgados nesta quarta, 25, pelo Ministério da Economia podem indicar uma virada no mercado de trabalho, segundo professor de economia da USP Hélio Zylberstajn, especialista no tema. Pelos dados, foi o melhor resultado para o mês em seis anos.

O economista observa que o número maior de carteiras assinadas neste ano vem se ampliando progressivamente, quando se comparam meses semelhantes de 2019 e 2018.

Zylberstajn, também coordenador do Salariômetro -que faz pesquisa salarial e acompanha todas as convenções e acordos coletivos-, diz que a inflação mais baixa está fazendo com que a maioria dos reajustes traga também ganhos reais para os trabalhadores.
*

A geração líquida [contratações menos demissões] de 121 mil vagas formais em agosto indica uma recuperação sustentável do emprego?

É um crescimento pequeno, mas gradual. Agosto de 2019 ficou 11% acima de agosto de 2018, enquanto na média este ano está 4,3% acima do ano passado. Na linguagem dos economistas, está havendo crescimento na margem.

Ou seja, a melhora está acelerando?

Sim, crescemos um pouquinho em 2018, um pouco mais neste ano e a vantagem está se acelerando.

Há mais carteiras assinadas, mas o mercado de trabalho não está ainda muito informal?

Quando se olham os números da Pnad contínua [pesquisa do IBGE que mede o emprego formal e informal], de fato o crescimento está concentrado nas “relações de trabalho atípicas”: autônomos, empreendedores individuais, PJs. Há duas hipóteses possíveis. Uma é que há mudança de padrão e o mercado de trabalho vai piorar porque o emprego bom e de qualidade está desaparecendo. Mas está havendo aceleração nas vagas formais e nas ocupações atípicas.

Qual seria a segunda hipótese?

As empresas receosas de contratar podem estar optando por relações não formais até ter certeza de uma recuperação econômica, e a economia informal pode ter percebido uma recuperação e reagido a ela antes do setor formal.

Nesse caso, indicaria uma recuperação?

Sim, e no começo é assim mesmo: primeiro vem a informalidade, depois a formalidade.

Qual das duas hipóteses parece mais provável?

Talvez daqui a duas ou três entrevistas eu possa responder [risos]. Mas tudo indica que está havendo recuperação.

Já é possível concluir algo sobre o impacto das mudanças na legislação trabalhista?

Muito arriscado. O crescimento da informalidade começou antes da reforma trabalhista, com um boom no primeiro trimestre de 2017, um ano antes das mudanças. O impacto visível é um aumento paulatino, mas constante, das contratações intermitentes.

Elas ocupam o lugar das contratações mensais?

Não, e o trabalhador intermitente tem uma rotatividade menor que os outros.

Indica um espaço novo de trabalho?

Indica formalização. É o garçom que era informal, porque a empresa só precisava dele aos domingos e ele fazia bico. Agora o restaurante pode formalizar. É precipitado dizer que a reforma trabalhista causa o que o sindicalismo chama de precariedade. Há duas causas possíveis para o crescimento recente da informalidade: a recessão e uma mudança estrutural do mercado de trabalho. Aparentemente, todos os indícios que temos é de que ela é muito mais fruto da recessão.

Olhando para os setores, qual lhe chamou mais atenção nos números de agosto?

Metade do crescimento foi em serviços, e boa parte é em educação, porque é começo de semestre. Mas, apesar da sazonalidade, este ano foi melhor que o anterior. Outro ponto é quase 20 mil novos trabalhadores na indústria de transformação e quantidade semelhante na construção civil. São números muito pequenos se comparados a 39 milhões de trabalhadores, mas são mudanças de tendência.

O que o sr. está dizendo é que pode estar vindo uma virada no mercado de trabalho?

Sinais indicando isso, sim. Esse Caged pode indicar uma virada no mercado de trabalho.

E a renda do trabalhador, também melhora?

No primeiro semestre, só uma proporção pequena dos reajustes ficou abaixo da inflação. É uma boa notícia por dois motivos: inflação baixa mantém o poder de compra, e está permitindo reajustes acima dela, com um pequeno ganho.

O que poderia impedir ou inverter essa virada?

Espero que nada ocorra. O que pode estar acontecendo é a recessão ter batido tão fundo que os custos baixaram a ponto de dar um incentivo à produção: descontos com fornecedor, oferta de trabalhadores.

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Assuntos emprego, Trabalho
Redação 26 de setembro de 2019
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