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Economia

Inadimplentes com a Caixa terão que pagar dívidas em dinheiro

28 de maio de 2019 Economia
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Por Danielle Brant, da Folhapress

BRASÍLIA-DF – A renegociação de dívidas anunciada pela Caixa Econômica Federal e que começa a vigorar nesta terça-feira, 28, não incluirá débitos com garantia, como crédito habitacional, e também exigirá que o cliente tenha em mãos o dinheiro para pagar o valor acertado com o banco.

As informações foram dadas pelo presidente do banco, Pedro Guimarães, em entrevista coletiva. Ele explicou que a escolha por contratos sem garantia se deu porque os atrelados a um bem, como imóveis, podem ser retomados e vendidos pela instituição financeira.

Apesar de estarem de fora nessa primeira campanha, o crédito habitacional deve ganhar uma renegociação própria, que será anunciada pelo banco nas próximas semanas, segundo o presidente.

A campanha vai durar 90 dias a contar a partir desta terça e abrangerá contratos lançados a prejuízo pela instituição financeira, ou seja, com atraso acima de 360 dias. As dívidas devem estar vencidas até quatro anos.
“Isso garante que a Caixa não tenha perda. Não vamos renegociar com quem ainda tem um período onde o crédito está no balanço. Todos os créditos renegociados estão fora do balanço”, afirmou Guimarães, que ressaltou ainda que os contratos não podem ter suspeita de fraude. “Nosso objetivo é fazer uma reformulação muito forte e renegociação para que a gente consiga que as pessoas mais carentes tenham condição de captar ou poder tomar crédito a taxas que não sejam taxas abusivas”, afirmou.

Apesar de estarem de fora nessa primeira campanha, o crédito habitacional deve ganhar uma renegociação própria, que será anunciada pelo banco nas próximas semanas, segundo o presidente.

As dívidas têm valor entre R$ 50 e R$ 5 milhões. Segundo o banco, 69% dos clientes pessoas físicas possuem dívida até R$ 500. De R$ 500 a R$ 1.000 são mais 500 mil, enquanto 100 mil clientes devem de R$ 1.000 a R$ 2.000. São 2,629 milhões de pessoas físicas e 319.960 pessoas jurídicas. Até 60% dos clientes têm renda até R$ 1.500, e outros 23% têm renda de até R$ 3.000.

Para pessoas físicas, a maior parte das dívidas (24,7%) é do crédito consignado, enquanto 18,1% são referentes ao cartão de crédito e 15,2%, com o cartão material de construção.

O banco vai oferecer desconto de 40% a 90% -o médio deve ficar em torno de 86%. O valor vai ser definido a partir do perfil do cliente -faixas com mais dificuldade de quitar a dívida receberão abatimento maior.

O montante das dívidas lançadas a prejuízo soma R$ 28,6 bilhões, entre pessoas físicas e jurídicas. Pelas contas de Guimarães, se todos os clientes pagassem, o banco recuperaria R$ 4,1 bilhões. Mas ele trabalha com um número menor, de R$ 1 bilhão.

Inicialmente, o pagamento só poderá ser feito à vista, mas Guimarães afirma que, se perceber que os clientes estão com dificuldade de quitar em uma só vez a dívida, poderá pedir ao conselho de administração e à assembleia de acionistas autorização para oferecer o parcelamento do débito.

A renegociação pode ser feita pelo site da Caixa ou pelo site www.negociardividas.caixa.gov.br. O banco disponibilizou ainda um número de telefone (0800 726 8068, opção 8).

Também será possível negociar em agências da Caixa, pelo Twitter (twitter.com/caixa) ou pelo messenger do Facebook (facebook.com/caixa).
O banco vai consultar o cliente para saber qual a melhor forma de enviar o boleto.

A iniciativa deve ajudar a melhorar as contas do banco, que tem adotado outras medidas para aumentar sua lucratividade, como o programa de demissão voluntária que deve cortar 3.500 postos de trabalho na Caixa. É uma aposta também para ajudar a reativar a economia, em meio a uma enxurrada de notícias negativas para o governo no campo econômico e político.

Nas últimas 13 semanas, analistas e economistas têm reduzido a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2019 -começou o ano em 2,53%, mas já está em 1,23%. Sobre esse ponto, Guimarães ressaltou que a Caixa não é um banco de governo, e sim de estado. “O que está por trás mesmo é que eu, como presidente do banco, não aceito ter pessoas há quatro anos sem a sua cidadania”, afirmou. Ele disse ainda que o banco vai anunciar mais quatro medidas, entre elas a renegociação do crédito habitacional. “Nosso objetivo é fazer anúncio toda semana”.

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Assuntos Caixa Econômica
Cleber Oliveira 28 de maio de 2019
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