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Economia

Com alta nos preços e no desemprego, famílias freiam consumo

1 de setembro de 2018 Economia
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Consumidores frearam as compras e retração no comércio aumentou (Foto: Valter Campanato/ABr)

Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Os brasileiros pisaram no freio nas compras no segundo trimestre fazendo com que o consumo das famílias ficasse praticamente estagnado, com alta de apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior, segundo o IBGE. Com a demanda fraca, o comércio encolheu 0,3% no período, mas alguns serviços ajudaram a manter o Produto Interno Bruto (PIB) em território positivo. Houve avanços nos setores imobiliário, financeiro e de comunicação.

“O que vimos foi uma inflação maior e alguns preços administrados pressionando as margens de lucro dos empresários. O aumento de custos corroeu o aumento nas vendas”, avaliou Fabio Bentes, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo o IBGE, a greve de caminhoneiros e a alta do dólar pesaram contra o consumo no trimestre, via desabastecimento e encarecimento de produtos. Além disso, houve impacto negativo do mercado de trabalho, que ainda registra quase 13 milhões de desempregados. “As liberações de recursos do PIS/Pasep podem ajudar um pouquinho o comércio, mas o câmbio traz um cenário difícil para o segundo semestre do ano”, afirmou Bentes.

Para José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a conjuntura desfavorável, com elevadas incertezas no cenário eleitoral e internacional, tem impedido uma reação mais contundente do emprego. “O mercado de trabalho é consequência disso”.

“O que estamos vendo é que nenhum empresário quer investir antes da eleição e as famílias, com o nível de desemprego que temos, também não estão consumindo”, disse o professor de economia do Ibmec Alexandre Espírito Santo.

Em relatório, a consultoria LCA avaliou que “o somatório do consumo das famílias com os investimentos em ativos fixos (privados e públicos) aparentemente é o principal fator por detrás da expansão muito lenta da atividade nos trimestres mais recentes”. Até o fim do ano, Rodrigo Nishida, economista da LCA, vê espaço para as liberações do PIS/Pasep impulsionarem um pouco o consumo das famílias.

Por outro lado, mesmo em meio à crise fiscal, o consumo do governo cresceu 0,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro o melhor desempenho desde o primeiro trimestre de 2016. O aumento pode estar relacionado com o calendário eleitoral, disse Claudia Dionísio, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE. Como a lei eleitoral impõe restrições aos gastos públicos perto das eleições, os governos regionais correm para aumentar o consumo no segundo trimestre.

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Assuntos consumo, greve dos caminhoneiros, IBGE
Cleber Oliveira 1 de setembro de 2018
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