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Sem categoria

Um dia a casa cai

30 de agosto de 2017 Sem categoria
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O Brasil apodreceu. Quem sabe fosse melhor que logo pegasse fogo. O fogo, conquista relevante nos primórdios da pré-história, serviu de proteção para os hominídeos no tempo das cavernas. Purifica. Talvez, somente assim, tivéssemos condições de renascer das cinzas. Quem sabe também o país não ressurgiria com a força descomunal do pássaro da mitologia grega, capaz de suportar as cargas pesadas do passado, num voo emulgente e redentor em direção ao futuro.

Tem-se no presente a tragédia. Cava-se além do fundo do poço. A violência é extrema e não tem fronteiras. Há em curso uma guerra sem quartel, que se estende das comunidades faveladas e periféricas aos bairros mais ricos dos grandes centros urbanos do país. Neles ninguém está livre da fúria assassina, mas os pobres são as maiores vítimas. No conflito urbano, mata-se. E as mãos, sujas de sangue, ficam para sempre manchadas, indeléveis. De janeiro a julho de 2017, pasmem os leitores, somente a cidade do Rio de Janeiro registrou a marca de 3.033 homicídios. Bandidos matam policiais, uma centena somente neste ano, e também são mortos, em companhia de inocentes. Em dimensão mais profunda, a partir de gabinetes luxuosos e acarpetados de Brasília, políticos corruptos assaltam o erário e matam por atacado. Como genocidas, deixam milhões de brasileiros na miséria da desassistência, às portas dos hospitais públicos ou em sepulcros anônimos. Até quando o Brasil chorará seus mortos, imolados numa conflagração bélica que parece não ter fim?

As vísceras do país continuam expostas e o mau odor que exalam é insuportável. A delação de Silval Barbosa, ex-governador de Mato Grosso, “é monstruosa” e revela “a corrupção sistêmica que afronta valores morais e éticos”, segundo o ministro Luiz Fux. Exibidas ao vivo e a cores nos principais telejornais do país, as imagens do recebimento de propinas atentam contra a dignidade da população, ainda de acordo com o mesmo magistrado do Supremo Tribunal Federal. Mais grave é que esses procedimentos criminosos não se limitam a Mato Grosso, porquanto ocorrem em grande parte dos estados brasileiros. Veja-se o brutal exemplo do Rio de Janeiro, com Sérgio Cabral na cadeia. Há anos tem-se na malversação de recursos públicos uma realidade persistente, sem que se possa lancetar o carcinoma que se alastra como metástase pelo corpo da Nação.

Embora sob ameaça do juiz mato-grossense, Gilmar Mendes, e de outros que lhe seguem os passos, vê-se na Lava-Jato a única tentativa exitosa de combate à corrupção. Mendes, no caso de seu conterrâneo e delinquente Silval Barbosa, não perdeu oportunidade de oferecer-lhe ‘um abraço de solidariedade’, diante do cerco que lhe foi imposto pela Polícia Federal, tido como absurdo pelo ministro

No Congresso Nacional, insiste-se em contrariar as mínimas  aspirações da sociedade, que não mais se reconhece em seus ‘representantes’. Mastodônticos, Câmara e Senado, além de consumirem recursos fantásticos do orçamento da União, não têm o menor pudor em votar projetos que agridem a ética e a moralidade pública. Agora mesmo, a pretexto de formatar uma reforma política, deputados pretendem instituir um fundo de alguns bilhões de reais destinados ao financiamento de campanhas eleitorais, indiferentes à pesada crise na receita do governo, ao gigantesco déficit orçamentário e a outras carências em serviços públicos essenciais.

Aonde ainda chegarem e até quando? Olha, todo cuidado é pouco, um dia a casa cai.

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Assuntos Amazonas, brasil, congresso nacional, corrupção
Valmir Lima 30 de agosto de 2017
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