Vidas que falam

Hoje, eu e a jornalista Cristiane Silveira lançaremos o Livro ‘Vidas que Falam – Promotores dos Direitos Humanos, da Justiça e da Paz’. Uma obra que reúne mais de 20 autores e que contam a história de vida de 30 pessoas que atuam ou que atuaram no Estado do Amazonas na área dos direitos humanos, seja na educação, na saúde e saneamento, na moradia, na luta pelos direitos de crianças e de adolescentes, de jovens, de mulheres, de idosos, dos indígenas e de pessoas com deficiência, como ainda em defesa de melhorias nas políticas públicas e de um mundo mais justo e solidário.

O livro retrata a atuação de pessoas como o senhor Camilo Assunção, incansável na luta pelas políticas públicas na Zona Leste de Manaus, encanta a todos com as suas paródias cantadas pelas crianças do Grupo Singeleza. Animação semelhante somente com as crianças que estudam música na Associação Dom Jorge Marskell, entidade criada pela educadora Sylvia Aranha, outra personagem da obra, que é voluntária há 40 anos, ajudando a caminhada do povo de Itacoatiara.

Vários bairros existem em Manaus, graças à coragem de Irmã Helena Augusta, que entre as décadas de 80 e 90, foi coordenadora dos sem teto, denunciava o descaso dos governos e a falta de uma política de moradia para os mais pobres. Somente com o Governo Lula e o Programa Minha Casa, Minha Vida, o direito à moradia começou a surgir como política pública. A Irmã Alzira Fritzen é também outra uma religiosa que há 35 anos doa sua vida ao povo amazonense. Trabalhou na Comissão Pastoral da Terra (CPT), acompanhou famílias em áreas de ocupações e contribuiu muito na formulação da política de segurança alimentar no Estado e no combate à fome e à miséria.

Na luta pelos direitos LGBT, apresentamos história de Adamor Guedes, assassinado, devido a discriminações, preconceitos e intolerâncias. A luta de Adamor continuam através das entidades que ele ajudou a construir.

Os professores estão na luta pelos seus direitos. Aloysio Nogueira foi fundamental na organização da Associação dos Professores e do Sindicato da categoria. Enfrentou com os demais professores a truculência do Governo Gilberto Mestrinho. Como vereador de Manaus, pelo PT, debateu o orçamento público com o povo, por meio do Fórum do Orçamento Público Municipal.

A política estadual voltada para as pessoas com deficiência tem a participação de Carlos Mota. Ele ajudou na fundação da Associação dos Deficientes Físicos do Amazonas (Adefa).  Não se conforma com a falta de atenção às pessoas com deficiência.

Ser jornalista é ter compromisso com a vida, com a verdade, com a justiça. Assim são as jornalistas Ana Celia Ossame e Ivânia Vieira.  Ana é amiga das crianças. Foi premiada pelas reportagens retratando a realidade das crianças, as boas iniciativas para protegê-las. Ivânia, professora que forma outros jornalistas, produz e publica textos que questionam as injustiças, as várias formas de violência, contra as mulheres afros e ameríndias, principalmente.

Na causa dos haitianos atingidos pelo terremoto que vieram para o Brasil, passando pelo Amazonas, o Padre Gelmino Costa moveu montanhas para acolhê-los com abrigo e orientação para o trabalho. Assim como a irmã Santina Perin, que trabalhou 22 anos no Haiti, conheceu a pobreza desse povo e chorou com ele, denunciando ao mundo a opressão contra o povo.

Não poderíamos esquecer-nos de Irmã Giustina Zanato que ajudou na criação  do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA)  fruto do esforço e luta de muitas mãos e vozes. Ela também foi fundamental para a criação da Pastoral da Criança no Amazonas e a Pastoral do Menor. Igualmente a enfermeira italiana missionária Nádia Vettori que foi incansável na luta pelos direitos dos hansenianos e na Pastoral da Criança, salvou a vida de milhares de crianças, com o acompanhamento das gestantes, dos recém- nascidos.

O Lar Fabiano de Cristo é  outra entidade que trabalha com crianças e suas famílias e Perina Costa, assistente social, tem a maior parte de sua vida dedicada às crianças. Igual dedicação se vê na Irmã Liliana Daou, muitos anos empenhada no atendimento de meninas, vítimas da violência, acolhidas na Casa Mamãe Margarida, na Zona Leste de Manaus.

O Estatuto da Pessoa Idosa é uma grande conquista na luta pelos direitos dos idosos e das idosas e Lilia Albuquerque é parte dessa história, pois contribuiu para a existência da Pastoral da Pessoa Idosa e os Conselhos Municipal e Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa. Na defesa das mulheres, Luzarina Varela atua desde juventude na militância partidária e na Pastoral Operária, denuncia as injustiças e o desrespeito aos direitos das mulheres.

No livro, temos a felicidade de ter um testemunho sobre o médico Menabarreto, que dedica toda a sua atuação profissional e seu conhecimento para o fortalecimento da saúde pública, do SUS e da conscientização do cidadão e do poder público quanto à saúde preventiva. Da mesma forma, viu-se a dedicação do médico psiquiatra Rogélio Casado, que não admitia a discriminação contra os doentes mentais. Cobrou de forma intransigente a política antimanicomial.

Quanto à luta em defesa dos povos indígenas, a cada dia mais agredidos em seus direitos, destacamos pessoas como o Egydio Schwade, indigenista, que denunciou o massacre dos Waimiri-Atroari pela ditadura militar e esteve sempre na defesa dos indígenas.

Inúmeros são os padres dedicados às causas populares. Doam suas vidas em prol do povo sofrido. Os padres Humberto Guidotti coordenou a Comissão de Direitos Humanos da CNBB e a CPT, no Amazonas. Padre Ricardo Zanchin fundou o Movimento Comunitário Vida e Esperança (MCVE), além de coordenar a Cáritas da Arquidiocese. Luis Giuliani ajudava os perseguidos e presos políticos. Em Manaus, conseguiu a primeira rádio comunitária registrada. Rogério Ruvoletto foi assassinado em Santa Etelvina. Denunciava a falta de segurança nesse bairro e tinha grande preocupação com os jovens, vítimas da dependência química e da violência. Já o padre Marcelo Bertolusso ajudou a implantar o projeto Pró-Menor Dom Bosco, no bairro Alvorada.

O Praciano foi eleito quatro vezes vereador e duas vezes deputado federal, e não se envolveu na corrupção. Ele fundou a Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, defendeu os estudantes e os professores, brigou pelo direito do povo ao transporte coletivo de qualidade e acesso à água, por isso sua vida está retratada na obra.

Há muitos anos dedicando-se à Pastoral do Menor, Irmã Neuma, uma cearense que queria trabalhar com os mais pobres, continua firme acreditando que é possível criar um futuro de vida para os adolescentes, e não de morte.

Mulheres como a Francy Junior, que lutam contra as discriminações e racismos ainda existentes na sociedade, são uma esperança para os que acreditam num mundo de igualdade de direitos. A sua história de vida superando tantas adversidades é inspiração para os que lutam pelos direitos humanos. Da mesma forma, vemos a história de Valdenora Rodrigues, que dedica toda a sua vida para combater os preconceitos enfrentados pelas vítimas da hanseníase. As políticas voltadas para garantir a saúde dos hansenianos e o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase são frutos da luta dessa destemida mulher.

É coisa de Deus. Esse é o canto que mais se ouve na Fazenda Esperança. Entidade que existe graças a total dedicação de Dom Mário Pasqualotto, bispo auxiliar emérito de Manaus, cuja principal função é salvar a vida de pessoas vítimas da dependência química.

Contar essas histórias é reconhecer as lutas e as vidas dessas pessoas como exemplos de ações pela coletividade, sejam na atuação política, religiosa, movimentos sociais e na atuação do real sentido da luta por direitos humanos.

O lançamento acontecerá hoje, 9, às 19h30, no auditório do Centro de Formação Maromba, localizado no bairro Chapada. Contamos com a participação de todos e todas!

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