Verticalização dos transportes: uma tendência preocupante

Uma economia desenvolvida possui uma grande quantidade de fornecedores para todo o tipo de atividade econômica. Quanto maior a economia de escala, maior a quantidade de empresas ofertantes e as demandas dos consumidores vão gerando novas oportunidades. É um ciclo de crescimento, onde sempre há espaço para terceirização, mas também há espaço para verticalização, quando o trabalho deixa de ser externo e passa a fazer parte das atividades da própria empresa.

Nos EUA, a Amazon criou uma divisão chamada Amazon Transportation Service, que incentiva pequenos transportadores, onde com uma startup de US$ 10 mil, oportuniza um potencial de venda de US$ 1 milhão a US$ 4.5 milhões. Chamam de Amazon Delivery Partners, com terceirização de partes do serviço de entrega por meio de empresas com até 40 vans, bem menores do que os grandes operadores de transporte, como FedEx ou UPS. Há ainda a sua própria estrutura vertical, na qual ela gastou US$ 13.2 bilhões em 2017, fazendo com que no início de 2018 as ações da FedEx e UPS caíssem, por conta deste movimento.

Quando vale a pena terceirizar? De um jeito simples, quando a empresa não possui recursos ou competência para fazer aquela atividade de um jeito mais econômico. Portanto, sempre haverá espaço para verticalização ou para terceirização e o que fará este equilíbrio por um lado é a escala e por outro é a margem de lucro. Uma coisa é certa: verticalizações bem conduzidas geram grandes economias.

Existe uma tendência no Polo Industrial de Manaus (PIM) para a verticalização de serviços de transporte e logística. Um dos exemplos mais recentes, a Yamalog, empresa controlada pela fabricante de motocicletas Yamaha, com 150 carretas e 4 armazéns, passou a fazer a sua própria operação de transporte de motocicletas de Manaus para o mercado nacional. Este movimento é uma demonstração do quanto é complexo e caro distribuir no Brasil, o que fez a Yamaha, pela primeira vez no mundo, verticalizar a sua estrutura logística por meio de uma nova companhia.

Há outros exemplos como Honda e Samsung, que também operam com estrutura própria na região, mas sempre que surge um novo operador verticalizando a sua estrutura, não pelo grande aumento de volume, como no caso da Amazon, que saiu de US$ 74 bilhões de vendas anuais em 2013 para US$ 177 bilhões de vendas anuais em 2017, surge a questão: por que terceirizar, se não há ganho de volume?

A resposta é que o mercado não está sendo competitivo para resolver os problemas que são naturalmente resolvidos, quando existe escala. Há uma redução gradativa da oferta de transporte no PIM. No mesmo período de 2013 a 2017, o faturamento caiu de US$ 38.5 bilhões para US$ 25.5 bilhões. É interessante comparar os números do conjunto das empresas industriais tradicionais, com as vendas de uma única empresa global, como a Amazon, para que também traga para a mesma página de reflexão sobre o quanto estamos nos tornando insignificantes no mercado global.

As escalas precisam crescer sempre. Isso somente será possível se existir uma estreita cooperação dentro da sociedade, com simplificação constante das atividades econômicas e não com o aumento da complexidade. Coisas mais complexas levam a menos atividades formais.

A presença de uma plataforma que facilite a operação industrial no Amazonas é a grande oportunidade. De outra forma seguiremos a reduzir a nossa significância, porque pior que apenas reduzir o faturamento industrial é ver que enquanto reduzimos, outros crescem e assim ficará cada vez mais difícil superar a distância que nos separa das economias desenvolvidas.

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