Um campeonato mais brasileiro

 

Pronto! Acabou.

O Campeonato Brasileiro de Futebol acabou. Já pensaram no prejuízo que dá o Internacional do Rio Grande do Sul na segunda divisão do Brasileirão? Não importa! O importante é que os cinco times do campeonato paulista estejam entre os dez da primeira divisão. Um campeonato nacional deve mostrar, além do resultado financeiro, o resultado técnico. Nós vimos o time do Corinthians ser despedaçado, os treinadores serem responsabilizados pelo brilho verde das notas que mostravam aos nossos dirigentes. Então, vamos atrás da fórmula, como dizia o Luiz Carlos Sandoval –e ele chegaria na fórmula certa, porque nasceu craque. O que sobrou foi: façam os craques aparecerem, nós enchemos os times de juvenis e cacarecos repatriados, os nossos times perdem, e nós enxotamos os treinadores para fora, carimbando nas costas dos velhos, sem estudo, o eterno “Incompetente”.

Na segunda divisão, o Bragantino, de São Paulo, por não ler direito o regulamento, desceu para a terceira.

Na Itália, as cidades que ficam mais afastadas, com populações menores que Belém, Manaus, Fortaleza, São Luiz, Rio Branco, Porto Velho e Natal, têm suas equipes dentro do futebol italiano. Os seus estados têm representação dentro da federação de futebol: o calccio.

A Espanha com Barcelona, Madri, Atlético e outros times grandes, tem em suas cidades menores, a representação de Málaga, de Mallorca e outras. As cidades menores têm que se mostrar ativas e todas as suas cadeiras são vendidas no início das temporadas. Uma beleza! E os craques que não têm a obrigação de nascer em Madri, Barcelona e  Sevilha, aparecem e são de grande expectativa para as cidades terem seus craques na seleção do seu país.

A atual fórmula do campeonato brasileiro dificultaria a escolha de Vavá, Dida, Almir, Queixada e outros cracaços do nordeste. Pelé, nascido em 3 Corações teve que ir bancar o Gasolina para chegar. Com diz o Pepe: “Eu sou o maior artilheiro do Santos e do Brasil”. Os homens da imprensa dizem logo: “E o Pelé?” Ao que o Pepe logo conserta: “O Pelé não é daqui, não é do Santos e muito menos da Terra. Nós que somos da Vila Belmiro não sabemos de onde ele veio, não serão vocês que vão nos dizer”. Acabavam as prosas e saía todo mundo feliz. Vocês já pensaram se o Garricha apareceria, sendo um índio, já alcoólatra, e de uma aldeia chamada Pau Grande? Difícil, até para um deus da bola. Essa fórmula mal copiada e imposta aos estados mais ao norte da federação, não serve para o Brasil. O Brasil tem vinte e sete estados e um Distrito Federal. O atual campeonato brasileiro, há dois anos, quando chega às suas três últimas rodadas, já se sabe quem são os três primeiros e o país volta-se para a torcida dos quatro últimos. Estou enganado? Quando jogávamos futebol, torcíamos pelos primeiros lugares, e os últimos, ora…ora, que se virassem.

Neste último domingo, vimos um melancólico Palmeiras levantando a taça sem nenhuma perspectiva de ser o melhor das Américas. Desde os 7 x 1 não conseguimos ir para a frente. A nossa seleção está na frente, como sempre esteve, durante as eliminatórias; o que não acontece há muito tempo, é chegar nas finais. É uma equipe de craques, todos garotos. O treinador está ganhando de sul americanos, com a Argentina muito mal na sua organização. É bom que lembremos que na última Copa América, todos os treinadores eram argentinos, e o melhor de todos, Loco Bielsa, não estava presente. Quando vemos, pela tarde, Barcelona, Bayern, Madri e Juventus, ao abrirmos a televisão à noite, nossos filhos perguntam:

– Papai, que esporte é esse?

Sou por um campeonato brasileiro com mais clubes, que tenha a representatividade nacional e que não nos enganemos com vitórias contra a Venezuela, que, atualmente, tem que atravessar as fronteiras para comprar papel higiênico.

Roberto Caminha Filho, economista, nacionalino e brasileiro, é louco por futebol.

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