Thomaz Nogueira prioriza família e deixa Secretaria de Planejamento

O superintendente da Suframa criticou o governo federal e diz que fica até definirem a demissão dele, ou até 31 de dezembro, data que definiu para deixar o cargo (Foto: Valmir Lima)

O secretário publicou carta no Facebook alegando motivos pessoais para deixar o governo (Foto: Valmir Lima)

MANAUS – Alegando motivos pessoais, o secretário de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Thomaz Nogueira, publicou carta em sua página no Facebook anunciando a saída do cargo. Nogueira elogia o governador do Amazonas, José Melo, relembra projetos dos quais participou e cita perda na família. Confira a íntegra da carte do ex-secretário.

Thomaz Nogueira

Desde 1º de outubro de 1974, estou no mercado de trabalho. Estava ainda no segundo ano de faculdade, quando passei no concurso de Auxiliar de Fiscalização da Sefaz onde ingressei em março de 1981. Em 1988 fui aprovado em um segundo concurso de Fiscal de Tributos e desde então essa tem sido minha caminhada.

Nesta longa jornada, tive oportunidade de ter as mais diversas experiências profissionais. Do início na fiscalização de caminhões e balsas à representação do meu Estado no CONFAZ. Tantas histórias.

Participei, ativamente, da luta e discussão e construção de um serviço público moderno fundado na entrega prioritária de resultados à sociedade e na valorização profissional. Defendi essa postura dos dois lados, como servidor e como administrador. Fui Vice-presidente da minha associação de classe – a AFEAM, vice-presidente e duas vezes presidente do SINDIFISCO e nessa condição conselheiro da FENAFISCO. Fui Subsecretário de Fazenda, Coordenador do Programa de Modernização da SEFAZ, Secretário Executivo da Receita. Fora da minha instituição estive como Superintendente da Suframa e Secretário de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação.

Se já parece longo ler, imagine tê-los vividos!! Mas “a recompensa é própria caminhada”. Esses milhares de dias, foram inúmeras oportunidades de conhecer pessoas, de construir soluções, de debater intensamente. A Constituinte, as sucessivas propostas de Reforma Tributária, cada crítica e ataques a Zona Franca como projeto de Desenvolvimento, suas prorrogações, especialmente a derradeira até 2073, os debates, e discussões no CONFAZ são etapas marcantes. A isso juntam-se as questões da modernização da SEFAZ, a decisão estratégica de investir em tecnologia como forma de dar eficácia e transparência à administração pública, pela modernização de sistemas e processos, as resistências enfrentadas, o envolvimento e apoio.

Foram erros e acertos, carrego a alegria de ter participado junto a tantos colegas e amigos desses eventos.

Esta última etapa foi uma desafiadora, dolorosa e rica experiência. A um inimaginável dano pessoal sucedeu um convite para o trabalho, quando já pensava em parar. Ao assumir a SeplanCti já tinha tempo e idade para aposentadoria, mas o desafio ajudava a caminhar. Uma crise feroz ameaçando causar danos brutais.

Ao lado do esforço de ir se ajustando à crise, pela adoção de medidas duras, duríssimas, fomos construindo pontes para o futuro. Lá na frente reconhecer-se-á (olha a mesoclise ai, gente!!) o mérito do Melo, como governador. Na verdade, hoje, quando se olha para o quadro nacional, já se tem a percepção mais correta do esforço e a coragem do Governo Melo para agir e evitar o caos econômico.

Mas avançamos, a discussão intensa com ambientalistas, pesquisadores, empreendedores, produtores rurais, órgãos de estado, propiciou a construção das bases de uma nova matriz econômica ambiental, que fortalecendo e ampliando o Polo Industrial de Manaus vá além e integre nossos recursos naturais ao processo de desenvolvimento, especialmente explorando e recuperando áreas já alteradas; a integração da Ciência e Tecnologia a este processo vai levar empoderamento a mulheres e homens que no interior do Estado trabalham na piscicultura, fruticultura, e demais atividades.

Defendemos a revisão dos incentivos fiscais, independente da conjuntura adversa, com dois vieses. O primeiro que estabelecesse um critério de análise periódica daqueles incentivos concedidos adicionalmente à regra geral, para ajustes de competitividade ou guerra fiscal. O segundo, de maior fôlego, que estabelecesse as regras que nos levarão até 2073, que precisarão trazer em si mesmo um processo revisional, pois nenhum de nós tem o condão de saber como vai estar a economia em 2035, 2050, etc.

A primeira etapa foi cumprida, reduzimos para 2016 os benefícios extras de mais de 20 tipos de produtos e, mais importante, estabelecemos o mecanismo de análise periódica, gerando do previsibilidade e segurança jurídica.

Essa dinâmica da vida profissional acontece em paralelo a algo mais importante, muito mais importante: a família. A partir de 1982 construímos, Ozeneide e eu, nossa família. Mariana, Rebeca e Lucas nos trouxeram uma jornada incomparavelmente mais rica e complexa. Ano passado, perdemos a Ozeneide, ninguém se recuperou ainda. Agora em setembro ganhamos o Lorenzo.

É mais que hora de redefinir prioridades, nenhum de nós sabe quanto tempo lhe resta, nem eu. Espero ter contribuído, errei muito, mas é a limitação humana.

Ao Governador, grato pela oportunidade em momento tão delicado e pelo apoio no dia-a-dia.

Impossível mencionar tantos a quem tenho gratidão. Obrigado a todos.

P.S – Roberto Campos recomendava abandonar a utopia, em favor da bigorna de realismo. É Roberto Campos para um lado e eu para o outro. Bobbio fazia uma distinção entre direita e esquerda com base na prevalência da Liberdade (Direita) e Justiça (Esquerda). Me julgo um esquerdista de resultados, não abro mão da utopia.

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