Presos do regime semiaberto foram a ‘ferramenta’ para matar 56 detentos, diz secretário

Sérgio Fontes precisa provar a competência do sistema de segurança pública (Foto: Divulgação/SSP)

Sérgio Fontes diz que regime semiaberto precisa ser separado do Compaj (Foto: Bruno Zanardo/Secom)

Da Redação

MANAUS – A proximidade entre os prédios que abrigam os detentos do regime semiaberto e do regime fechado é o maior risco de rebeliões no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no quilômetro 8 da rodovia BR-174, na zona rural de Manaus. É o que afirma o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes. “O nosso problema, agora, naquele complexo, são os presos do semiaberto. No dia da rebelião, eles foram a ferramenta que ajudou a matar os 56 detentos. Temos até que apurar a responsabilidade de vários. Vimos a passagem de um local para o outro. Os presos do semiaberto entraram para o fechado e os do fechado saíram para fugir. Depois, houve um tráfego intenso das pessoas de um sistema para outro. Aquele semiaberto não pode mais estar ali. Ele propicia um instrumento para a realização de ações como essa. Mas, agora, estamos em crise para apagar esses ‘incêndios’ prioritários”, disse Fontes.

Além da Força Nacional de Segurança, Sérgio Fontes anunciou que policiais civis e militares, bombeiros e agentes do Detran que estavam em gabinetes fazendo serviços administrativos irão trabalhar nas ruas durante 15 dias para reforçar a segurança. “É uma portaria conjunta assinada pela SSP, Bombeiros, PM, Delegacia Civil e Detran, suspendendo as atividades administrativas não essenciais para eles serem colocados nas ruas. Também estamos recebendo a Força Nacional para atuar exclusivamente no Complexo Penitenciário da BR-174”, disse.

Rejeitados

Sobre a transferência dos 20 presos que tinha sido encaminhados para o presídio de Itacoatiara (a 176 quilômetros de Manaus) e tiveram que retornar à Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no centro da capital, por ordem judicial, Sérgio Fontes disse são presos considerados inimigos pelas facções criminosas. “Ninguém quer os tipos de presos que foram, nem o PCC e nem a FDN. São os estupradores, ex-policiais, assaltantes que eles entendem que traíram as facções”, disse.

O secretário negou que a transferência tenha sido um erro das autoridades de segurança e admitiu, porém, que no interior eles causariam insegurança. “Foi feita uma avaliação e já que não dá pra oferecer segurança para esses presos lá, é melhor que eles estejam aqui porque pelo menos aqui temos todas as forças especiais, do que eles ficarem lá e agente causar prejuízos e intranquilidade para a cidade. Não foi um erro. Não é uma questão de capacidade. Isso é uma questão muito relativa, porque o Compaj tinha quatro vezes a capacidade. Vinte a mais em 170, com um pouquinho a mais não iria fazer diferença”, disse Fontes, referindo-se à capacidade do presídio de Itacoatiara. No Compaj, a capacidade é de 454 presos, mas a penitenciária tinha 1.224.

Mesmo com quatro presos assassinados na manhã de domingo, 8, Sérgio Fontes considerou a operação na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa muito bem-sucedida. “A Força Tática estava segurando a fuga com bombas. Eles dominaram o presídio. Não teve ninguém morto pela polícia, só os que já tinham sido mortos pelos detentos e teve um saldo total de controle da operação”, disse o secretário.

Sobre a presença de armas na Vidal Pessoal, o secretário suspeita de corrupção. “Nós estamos investigando que alguém introduziu essas armas lá. Também pode ser que as armas já estivessem lá, guardadas em locais desconhecido. Há dois desaparecidos que estamos dando como foragidos”, disse.

Dos 56 presos assassinados, 55 foram identificados. “Resta apenas um corpo ser identificado que a família não foi reclamar e precisa ser feito DNA”, disse Fontes. “Também realizamos hoje uma operação de revista no semiaberto e retirada dos barracos próximos ao Compaj. Para lá não está autorizado nem a entrada de mototáxi”.

Força Nacional

Fontes aposta na Força Nacional para evitar novas rebeliões e mortes. “Eles vieram equipados e se o preso souber que ele tem colado com ele, 30 policiais preparados e equipados com todo tipo de armamento e equipamento para controle de distúrbio civil e entrada, talvez pense duas vezes antes de fazer alguma coisa”, disse.

O major Paulo Roberto Siste, comandante da Força Nacional, disse que forma trazidos todos os tipos de equipamentos. “Nós trouxemos armas zincos, escopetas calibres 12 e granadas antitumulto ofensivas”, disse.

1 Comentário on "Presos do regime semiaberto foram a ‘ferramenta’ para matar 56 detentos, diz secretário"

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.