“Somos nós que fazemos a vida”

“Deus é um cara gozador, adora brincadeira, pois pra me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro, mas achou muito engraçado me botar cabreiro, na barriga da miséria, nasci brasileiro”

A letra da música Partido Alto de Cássia Eller descreve o sentimento, principalmente dos jovens, com este país de desilusão e fracassos. No esporte, nas ciências, nos indicadores de ensino básico – fundamental, especialmente na política, os brasileiros se sentem amargurados com a própria nação. As razões continuariam indefinidamente, mas elas se concentram – segundo várias outras pesquisas – no exercício do sórdido jogo político. Aquele candidato com ares de salvador, que entre sorrisos e afagos, prometia um país melhor, um estado mais pujante, uma cidade mais urbanizada, passou quatro anos achando que o dinheiro público era extensão das suas finanças pessoais.

Em pesquisa recente pelo Datafolha, setenta milhões de brasileiros, com dezesseis anos ou mais, se pudessem, deixariam o país. Isso significa somar a população de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Na mesma pesquisa, 43% da população adulta manifestou desejo de sair do Brasil. Já comentamos neste espaço que a emigração bate recorde diário. Quem pode vai embora.

Violência, desemprego, recessão, desilusão, afastam esses brasileiros, quase todos, conscientes que irão começar do zero num país estranho.

Inevitavelmente a via contrária confirma as razões do “saco cheio” generalizado com o Brasil. É vertiginosa a queda de turistas e profissionais interessados em experimentar a tal da brasilidade sorridente. Esta é uma imagem que havíamos firmado no Exterior por conta do Futebol e do Carnaval. No futebol ainda é viva a lembrança do cascudo 7×1 dado pela Alemanha e no Carnaval, associado ao Rio de Janeiro, eles temem dançar o samba da bala perdida.

Voltando à questão política, tivemos um ex-Presidente levado a penitenciária e outra removida do poder por processo de impeachment. Dentro de condições sorrateiras, comuns num país em que a Lei de São Francisco, “… é dando que se recebe”, decide os rumos do interesse público, o voto de um parlamentar para defender interesses de corporações, quase sempre inconfessos, tem um mercado semelhante à Bolsa de Valores. Quem pode mais chora menos ou provoca a choradeira geral.

Como contornar tantos problemas? Como reconstruir um país em frangalhos, em que as instituições responsáveis pelo Estado de Direito, cada vez mais sucumbem ao critério da ilicitude camuflada? Já tivemos momentos semelhantes, ou mais graves, dizem alguns historiadores. Em comum aqueles como este, padeciam do respeito à Lei e contavam com a indiferença de uma sociedade açoitada pela má Educação.

Temos saída? Sim, com certeza, certamente os novos caminhos virão pela mobilização de todos. Não esqueçamos a amarga lembrança de Fernando Color de Melo, o Caçador de Marajás, que vem inevitavelmente à tona. O caçador se revelou uma presa a ser cassada.

A saída está em nossas mãos. Teremos no próximo dia 7 de outubro, a oportunidade de escolher nossos representantes. Quais deles revelam conhecimento dos problemas locais, estaduais e nacionais? Quem explicitou claramente seu posicionamento a favor da Educação e do respeito ao cidadão? Quais deles se movimentaram para chamar a sociedade e debater segurança pública, saúde, moradia, meio ambiente, transporte, entre outros temas prioritários aos olhos do cidadão. Só nos resta a arma do voto, quem sabe o que queremos, somos todos nós que matamos um leão por dia para sobreviver, e acreditamos que a vida poderia ser bem melhor e – se estivermos alinhados – será.

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