Se a reforma da Previdência fosse boa, Temer não recorreria a pastores evangélicos

Michel Temer e Valdemiro Santiago

Michel Temer e Valdemiro Santiago: em busca de convencimento do eleitorado sobre a reforma da Previdência (Foto: Isac Nobrega/PR)

MANAUS – Está mais do que provado que a reforma da Previdência proposta por Michel Temer, o presidente sem voto, não é boa para o país. Mas é o compromisso dele com a elite que o ajudou a chegar ao Palácio do Planalto, onde jamais chegaria pelo voto popular. A trama armada para deportar Dilma Rousseff teve um custo alto negociado e que deveria ser pago pela sociedade, principalmente os mais humildes.

Nesta semana, Michel Temer intensificou as atividades que objetivam convencer a população de que a reforma proposta por ele é necessária e urgente e precisa ser aprovada antes das eleições de 2018. Que ingênuo acredita que Temer, que já declarou aos quatro ventos que não será candidato à reeleição, está preocupado com o futuro do País?

A reforma da Previdência nada mais é do que o principal acordo com banqueiros e corporações do mercado financeiro, que não se conformam em abocanhar ano a ano menos do que metade do orçamento da União, dinheiro que chega até eles com o pagamento de juros e amortização da dívida pública. O dinheiro para essa gente é duas vezes os gastos com Previdência Social. Em 2015, o pior ano do governo Dilma, a União destinou R$ 962 bilhões para a divida contra R$ 514 bilhões para a Previdência.

Quem não lembra do discurso do governo Temer de que é preciso elevar o superávit primário? O que é isso? É exatamente o dinheiro que o governo economiza para pagar a dívida pública, uma dívida que nunca diminui, só aumenta ano após ano. Há quem defenda uma auditoria da dívida, como fez o Equador, mas ninguém, nem FHC, nem Lula, nem Dilma, muito menos Michel Temer aceitaram ou aceitam fazer tal auditoria, porque o “mercado” manda é fazer superávit.

Como não conseguiu com a moeda de troca que tem em mãos, ou seja, os cargos públicos e o dinheiro para liberar aos parlamentares no Congresso, Michel Temer apela, agora, para os líderes das igrejas evangélicas. Valdemiro Santiago, desertor da Igreja Universal do Reino de Deus que fundou sua própria igreja, foi o primeiro a ser chamado ao Palácio do Planalto. O objetivo é que ele e outros líderes convençam os fiéis de que a reforma é urgente e necessária, e estes cobrem dos parlamentares a aprovação da reforma.

Se falta dinheiro para a Previdência, o governo deveria, primeiro, criar um sistema eficiente de cobrança da contribuição previdenciária que reduzisse a sonegação, principalmente das empresas, que é altíssima. Outra medida seria cobrar os valores devidos e não pagos pelas grandes e pequenas corporações. Há casos de bancos que lucram bilhões de reais (lucro líquido) por ano e devem milhões para a Previdência.

Um levantamento da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional constatou que os devedores da Previdência Social acumulam dívida de R$ 426 bilhões, valor quase três vezes o que o governo chama de déficit da Previdência.

Entre os devedores estão a JBS, de Wesley Batista, com R$ 1,8 bilhão. Os bancos que mais devem são a Caixa Econômica, que devia em fevereiro de 2017 R$ 550 milhões; o Bradesco, que devia R$ 465 milhões; o Banco do Brasil, com R$ 208 milhões e o Itau, com R$ 88 milhões.

A lista tem mais de 500 empresas, muitas delas já extintas por falência, como é o caso da Varig e da TV Manchete. Mas há empresas de todos os setores da economia com dívidas milionárias ou bilionárias.

O governo não cobra, as empresas não pagam e, agora, querem que o contribuinte, o trabalhador, o servidor público de baixa renda, paguem a conta, com o aumento do tempo de contribuição e da idade para se aposentar, além da limitação dos valores das aposentadorias.

 

Seja o primeiro a comentar on "Se a reforma da Previdência fosse boa, Temer não recorreria a pastores evangélicos"

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.