Queda das importações beneficia balança comercial

Na exportação, o farelo fechou o mês com 720 mil toneladas embarcadas e 8% de crescimento em relação a maio de 2014. Foto: APPA

Para 2016, a AEB projeta comportamento da balança semelhante ao deste ano. A entidade prevê superávit de US$ 29,228 bilhões. Estima, ainda, que as exportações cairão 1% em relação a 2015 e as importações, 9,5% (Foto: APPA)

BRASÍLIA – A balança comercial, cujo saldo representa as trocas de produtos entre o Brasil e o resto do mundo, começou 2015 negativa. Logo em janeiro, houve déficit de US$ 3,174 bilhões. Isso significa que as importações no mês, ou seja, as compras do país no exterior, superaram as exportações, que são as vendas para outros países.

O saldo ainda refletia o quadro de 2014. A balança terminou aquele ano negativa em R$ 3,93 bilhões, o primeiro déficit anual desde 2000.

A situação da balança em 2015 começou a se reconfigurar a partir de março, quando foi registrado o primeiro saldo positivo do ano. Houve superávit, ainda modesto, de US$ 458 milhões.

Na ocasião, o governo informou que a virada já era esperada, devido ao início dos embarques de soja, um dos principais produtos brasileiros de exportação. O saldo positivo, entretanto, tinha ainda outro motivo: as importações estavam caindo em ritmo acelerado.

Queda

As exportações também estavam em processo de queda, em razão do recuo nos preços dascommodities (produtos básicos com cotação internacional) e da diminuição nas vendas de industrializados brasileiros, principalmente para a Argentina.

No entanto, as importações caíam mais intensamente e as quantidades embarcadas de soja e petróleo ajudavam a compensar a queda nos preços dos produtos básicos exportados. Com esse quadro, a balança ampliou o saldo positivo.

Ao fim de junho, reverteu o déficit acumulado, obtendo superávit de US$ 2,2 bilhões em seis meses. O resultado foi o melhor para o período desde 2012. Mais saldos positivos se seguiram e, na segunda semana de dezembro, o saldo acumulado da balança ficou positivo em US$ 15,8 bilhões, superando a expectativa do governo, que era encerrar 2015 com superávit de US$ 15 bilhões.

No entanto, José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), considera que o resultado pode ser considerado um “superávit negativo”, por se dever, em parte, à queda de importações. “As importações despencaram. Caíram 23,3%, até a segunda semana de dezembro, enquanto as exportações caíram 14,6%. O mais pessimista não imaginaria que chegaríamos a essa queda das importações”, comenta.

Segundo ele, as compras de importados caíram em razão do recuo na atividade econômica e alta do dólar, que bateu recordes de crescimento em relação ao real em 2015.

Contratos

A moeda norte-americana reagiu à turbulência econômica e política no país ao longo do ano. O dólar baliza os contratos de exportação e importação e, portanto, influencia as operações. Quando está valorizado ante o real, os produtos brasileiros têm preços mais atraentes no exterior. Com as importações, é o contrário: o dólar alto aumenta o preço final dos importados no mercado brasileiro.

Se a aquisição de importados foi desestimulada pelo dólar em alta, José Augusto destaca que as exportações, que poderiam ter se beneficiado do movimento, não ganharam impulso suficiente.

“[A alta do dólar] não foi o suficiente para tornar nossos produtos competitivos. O impacto do câmbio sobre os manufaturados [industrializados] praticamente foi nulo. Alguns insumos da indústria são importados e a taxa de câmbio muito elevada não nos ajuda. Cada vez que sobe o dólar, os compradores pedem desconto”, comenta ele, que defende um câmbio equilibrado.

Para 2016, a AEB projeta comportamento da balança semelhante ao deste ano. A entidade prevê superávit de US$ 29,228 bilhões. Estima, ainda, que as exportações cairão 1% em relação a 2015 e as importações, 9,5%. Segundo José Augusto de Castro, a queda no valor exportado será menor que a deste ano porque, após um recuo acentuado, os preços das commodities tendem a se estabilizar.

“O cenário econômico continuará difícil. Temos perda do grau de investimento, elevação da taxa de juros dos Estados Unidos. O câmbio vai ficar em piso de R$ 4 e teto de R$ 4,50. As importações devem cair, bem como as exportações. Mas as exportações cairão de forma mais suave”, prevê.

(Da Agência Brasil)

This site is using SEO Baclinks plugin created by InfoMotru.ro and Locco.Ro

Seja o primeiro a comentar on "Queda das importações beneficia balança comercial"

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.