Propinas na saúde chegavam a R$ 133 mil por mês. Wilson Alecrim, Pedro Elias, Raul Zaidan e Evandro Melo estão presos

Evandro Melo, Wilson Alecrim, Pedro Elias e Raul Zaidan foram presos pela PF na Operação Custo Político (Fotos: ATUAL/Arte)

Evandro Melo, Wilson Alecrim, Pedro Elias e Raul Zaidan foram presos pela PF na Operação Custo Político (Fotos: ATUAL/Arte)

Por Henderson Martins, da Redação

MANAUS – Cinco ex-secretários do ex-governador José Melo (Pros), cassado por compra de votos na eleição de 2014, foram presos na manhã desta quarta-feira, 13, por suspeita de envolvimento no esquema de fraudes na saúde pública no Amazonas. O esquema desviou mais de R$ 110 milhões. Propinas pagas a ex-secretários chegavam a R 133 mil por mês, disse o delegado Alexandre da Silva Saraiva, superintendente da PF no Amazonas. Foram presos Wilson Alecrim, Pedro Elias – ambos ex-secretários de Saúde –, Raul Zaidan (Casa Civil) e Evandro Melo (Administração) e irmão de José Melo. A PF procura ainda Afonso Lobo, ex-secretário de Fazenda.

Zaidan cumprirá prisão temporária; Pedro Elias foi preso em São Paulo; Wilson Alecrim e Evandro Melo cumprirão prisão preventiva.

Também foi preso coronel Aroldo Ribeiro, da Polícia Militar, que fazia a guarda pessoal de Mouhamad Moustafa, médico que foi novamente preso na manhã desta quarta-feira. Moustafa é apontando como o responsável pela quadrilha que desviava recursos públicos em contratos de serviços de saúde. O dinheiro era da Fundo Nacional de Saúde e do Fundo Estadual de Saúde.

“Mouhamad denominou o pagamento de propina de custo político, que seriam pagos para estes agentes. Com as decisões da justiça e algumas cautelares, realizamos três prisões preventivas, nove prisões temporárias, 27 conduções coercitivas, 27 mandados de busca e apreensão e 18 mandados de sequestros de móveis e imóveis expedidos pela Justiça. A soma dos bloqueios atingiram a soma de R$ 67 milhões”, disse o delegado.

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De acordo com Alexandre Teixeira, a operação ‘Custo Político’ é uma segunda fase da operação ‘Maus Caminhos’ e identificou o pagamento de propinas para ex-secretários. “Após a análise do material colido na primeira fase, instalamos outros inquéritos. A investigação observou que a quadrilha era bem maior do que se imaginava e envolvia agentes públicos e políticos que estavam atuando junto com a organização criminosa”, disse.

Segundo Alexandre Teixeira, o novo inquérito teve o foco de apuração de crimes de corrupção passiva e ativa. Conforme o delegado, no primeiro inquérito os envolvidos responderam por crime de peculato. Já na segunda fase são apurados crimes de corrupção passiva e ativa, além dos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O procurador do MPF (Ministério Público Federal), Alexandre Jabur, disse que as investigações começaram antes de 2014 e foi estendida até 2016. Ele explica que os pagamentos feitos para os secretários serviam para obter vantagens dentro da administração pública e conseguir que o esquema funcionasse sem sofrer qualquer impedimento.

“Além da interferência políticas que os secretários entregam em troca da propina, se observa que cada secretário tinha uma função diferente dentro da administração pública, adquirido facilidades para o recebimentos de pagamentos”, disse Jabur.

O procurador explicou que existem diligências em andamentos, inclusive com a convocação do ex-secretário de Fazenda para comparecer na sede da PF.  Jabur não descarta a possiblidade de novo desdobramento da operação, inclusive, com a possibilidade de chegar a políticos do Amazonas.

Jabur explicou que as pessoas que receberam prisão preventiva ficarão detidas por cinco dias. Prazo pode ser prorrogado por mais cinco dias.

Bens apreendidos

Um avião e vários carros, inclusive de luxo, como uma BMW, foram apreendidos durante a operação. “O operador é a Rico Linhas Áreas, mas o proprietário é uma empresa do Uruguai. Vários objetos de bens foram apreendidos”, afirma o procurador.

Os ex-secretários detidos ficarão no sistema penitenciário, mas não foram definidos os locais da prisão.

(Colaborou Patrick Motta)

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