Prefeito suspende tomada de preços de R$ 9,9 milhões com valores acima do mercado

Boca do Acre tem apenas 33 mil habitantes, segundo dados do IBGE (Foto: Instituto Amazônia/Divulgação)

Boca do Acre tem apenas 33 mil habitantes, segundo dados do IBGE (Foto: Instituto Amazônia/Divulgação)

Por Lúcio Pinheiro, da Redação

MANAUS – O prefeito do município de Boca do Acre (a 1.028 quilômetros de Manaus), José Maria Silva da Cruz (PSDB), o Zeca, suspendeu todas as licitações da prefeitura. Na mesma decisão, ele afastou os membros da comissão de licitação. O motivo foi a aprovação de uma ata de preço de R$ 9,9 milhões com valores acima do mercado.  Concorrência foi denunciada pelo ATUAL no dia 29 de julho.

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Na ata, publicada no Diário Oficial dos Municípios do dia 24 de julho, entre os produtos que chamaram a atenção por causa dos preços estava um apontador de R$ 11,88 e um HD externo (500 gb) de R$ 1.258,36.

Além dos valores, a ata chamou a atenção pelo tamanho. Segundo a prefeitura, a cotação de preço serviria para futura e eventual aquisição de material de escritório e equipamentos destinados à manutenção das atividades administrativas das secretarias municipais.

A comissão de licitação de Boca do Acre era presidida por João Paulo Cavalcante Neto. Ele e mais três servidores foram afastados do cargo nessa segunda-feira, 7.

Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, José Renan, João Paulo tem a confiança do prefeito. “A princípio, ele é de confiança. Mas às vezes a gente coloca uma pessoa de confiança no cargo e ela não corresponde”, declarou Renan.

De acordo com Renan, para afastar qualquer dúvida sobre a lisura das compras feitas pela prefeitura, o prefeito preferiu suspender todas a licitações em andamento, até que uma comissão investigue os atos praticados pela comissão de licitação.

Prazo

A comissão de investigação tem 60 dias para produzir um relatório com o resultado do trabalho. O Diário Oficial dos Municípios desta terça-feira, 8, deve trazer os nomes dos membros que farão parte do grupo que irá trabalhar no caso.

Segundo Renan, as “anomalias” na ata de preço foram identificadas por membros do gabinete do prefeito, que teriam alertado o administrador. As compras totalizavam R$ 9,9 milhões, e incluíam DVDs com Karaokê, 1,2 mil tesouras e 220 mouses.

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