Pra sempre no coração toca na alma

O show “Pra sempre no coração”, apresentado no Teatro Amazonas, pelo levantador oficial do Boi Bumbá Garantido, Sebastião Júnior, foi a expressão real do que o Garantido representa, não apenas para ele, mas para todos que amam o boizinho de pano com coração na testa.
O que talvez para alguns fosse um show em homenagem aos compositores da Baixa, foi na verdade uma declaração de amor ao Garantido. Foi um presente em forma de toadas, no mais importante palco do Estado, o Teatro Amazonas (olha que coisa mais linda!).

Um repertório com toadas, que remetem a essência musical do “Boi da Baixa do São José”: letras fortes e ao mesmo tempo de uma singeleza tocante, que exprimem um amor quase indescritível e melodias que transbordam a sensibilidade e tocam fundo na alma. Não poderia ter sido melhor escolhido. Aliás, a escolha enfatizou também que somos sim, os melhores na produção de toadas e temos um arsenal imponente a ser explorado.

“A benção madrinha”, “Serenou Laranjeira” (ela voltou como foi concebida), “Pra sempre no coração” (não por acaso o nome do espetáculo); “No compasso a emoção”; “O olhar de um coração”; “Flor de tucumã”; “Sentimento Vermelho”; “Eu sou a toada” (que toada lindaaaa); “Festa da Raça” emocionaram o público que foi ao Teatro, que alternou suspiros e lágrimas. No momento acústico foi a vez de “Nossa Senhora de Parintins”; “No rufar do tambor”; “Boi de pano”; “Isso é Garantido” e o clássico dos clássicos “Vermelho”. Mais alguns “nós” na garganta. Os depoimentos dos compositores, apresentados num telão, deram um tom ainda mais emocional e intimista ao espetáculo.

      

Durante o show, não pude deixar de lembrar que em 2010, Sebastião Júnior chegou de “surpresa” pra substituir o até então ídolo insuperável. Entre atordoada e agradecida, a Galera Vermelha e Branca o recebeu de braços abertos. Entre muita desconfiança e uma grande aposta; erros e acertos (como toda boa relação), Sabá conquistou a Nação apaixonada do Garantido.
No palco do Teatro, entre uma toada e outra, lembranças e impressões, Sabá provou (mais uma vez) que é um artista completo: canta, compõe (apresentou toadas inéditas “O profeta da Baixa” (que toada f…) e “Luz do meu cantar” ); toca vários instrumentos (surgiu tocando “Boi no Carmo¨ no piano); dança (dessa vez não dançou) e tem carisma de sobra e uma estrela (ops!) que brilha muito.

Nesses sete anos (número cabalístico), Sebastião evoluiu como artista, mas manteve sua essência, onde o “menino do interior” está presente de maneira muito forte na sua personalidade e transborda ao falar de si mesmo e suas impressões do Garantido, suas histórias, sua tradição e sua gente.
Foi uma noite nostálgica, cheia de amor em forma de poesia e melodia. Obrigada, Sabá!

Por Chris Reis

Fotos: Camila Batista

                

 

 

 

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