Por que não protegemos verdadeiramente as empresas da extinção?

341 mil empresas foram fechadas no Brasil entre 2013 e 2016, de acordo com dados do IBGE deste ano. Isso: empresas. Este número ajuda a compreender o problema do desemprego superior a 12%. De 2016 para cá, a nossa economia contraiu 7%. Um número raramente visto na história de um país fora de um estado de guerra. A condição é alarmante, mas pouco se faz para salvaguardar o local de geração de empregos.

Há um conjunto expressivo de ações de preservação e cuidado com outras coisas também importantes: pessoas, minorias, animais em risco de extinção etc. Entretanto, por qual razão não há a proteção para as empresas em risco de extinção, em especial de pequeno e médio porte? Se elas geram os empregos, a proteção destes empregos deveria começar pela proteção das empresas. Nos EUA, quando a Ford ou GM estavam para quebrar, elas foram imediatamente socorridas e protegidas. Aqui, mais de 341 mil empresas não tiveram a mesma sorte. Por que não fizemos o mesmo? Por que não foi montado um megaprograma de proteção de empresas e consequentemente dos empregos?

Em caso de má gestão, não haveria nenhuma dúvida que os gestores teriam que ser responsabilizados e até perder a propriedade (como no caso da GM) ou não (como no caso da Ford), dependeria do que se verificasse em um método de proteção. Se emprego é importante, então empresas devem ser preservadas, por mais que seja sob nova direção e novo empresário. Sem a proteção de quem gera riqueza, como ou por que uma nova geração se arriscará a ser empresária? Muito risco e pouca compensação. A alternativa é se tornar empresário de algo que não se conhece ou que existe menos risco e grande margem. O nosso modelo atual de gestão de país é temerário para quem quer o capitalismo como modelo.

O modelo atual é bom para destruir coisas. Será que queremos o capitalismo como modelo? Acredito que ainda não entendemos como sociedade o que realmente significa capitalismo e se vende uma ideologia falida de modelo de um socialismo dos anos 1970, onde o jogo é colocar umas pessoas contra as outras, como se fossem inimigos e estivessem em guerra. Com uma guerra civil faz todo o sentido esta abordagem de gestão de país. Como quem quer “ordem e progresso”, não me parece fazer sentido.

Fica a torcida que aumente a compreensão sobre as relações sociais e o respeito de todos com todos. Nestes últimos dias até a eleição pode ser um bom treino. Se a opção for guerrear, todos teremos que lidar com os escombros de um país que segue em processo de destruição, o que é exatamente o oposto ao progresso… estamos em uma desordem e retrocesso, alimentado pelas lideranças e pela sociedade. Vamos mudar isso? Tomara que sim.

(*) Augusto Barreto Rocha é professor de Empreendedorismo da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e diretor adjunto da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas).

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