Platini diz que presença de Blatter afeta a credibilidade da Fifa

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Platini disse que Blatter, de 79 anos, não tem grandes planos para a entidade (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO – A Fifa carece de credibilidade com Joseph Blatter como seu presidente, afirmou o comandante da Uefa, Michel Platini, indicando que o seu ex-mentor teme ter uma vida “vazia” se deixar o comando da entidade que rege o futebol mundial. Blatter se agarra ao poder “a todo custo”, disse Platini ao diário esportivo francês L’Equipe em uma entrevista publicada nesta segunda-feira.

Antes da eleição presidencial da Fifa na próxima sexta-feira, Platini disse que Blatter, de 79 anos, não tem grandes planos para a entidade e não é “crível” que precise de um quinto mandato de quatro anos para completar uma missão inacabada.

“Simplesmente tem medo do futuro, já que dedicou a sua vida à instituição, até o ponto de que agora se identifica por completo com a Fifa”, comentou Platini. “Compreendo o medo que tem desse vazio, é natural. Mas se ele ama de verdade a Fifa, ele deveria ter colocado esses interesses à frente dos seus próprios”.

Embora Platini tenha dito gostar de Blatter no nível pessoal, sua crítica explícita ao presidente da Fifa aponta um profundo racha entre os dois. O suíço procura estender o seu reinado de 17 anos em uma eleição que muitos viram como um momento natural para que o ex-jogador francês assumisse o comando da entidade.

Platini optou em agosto de 2014 por não desafiar Blatter na eleição da Fifa e agora apoia o único adversário: Ali bin al-Hussein, o príncipe da Jordânia e um dos vice-presidentes da entidade. “Estou firmemente convencido de que Ali, a quem eu conheço em um nível pessoal há anos, seria um grande presidente da Fifa. Ele tem tudo”, disse Platini sobre o candidato, elogiando a sua “grande liberdade de espírito e independência”.

No entanto, Blatter é o grande favorito para ganhar, com o apoio amplo de cinco das seis confederações continentais da entidade. Platini, hoje com 59 anos, foi decisivo na campanha para Blatter se tornar presidente da Fifa em 1998 e, durante muito tempo, foi apontado como seu aparente herdeiro.

“Não tenho nada contra Sepp. Eu gosto dele como pessoa e o respeito”, disse Platini. “Nós tivemos alguns bons momentos juntos, e nada e nem ninguém pode tirar isso”.

Ainda assim, Platini não perdoou Blatter por voltar atrás em uma promessa feita no Congresso da Uefa de 2011, em Paris, de que o atual mandato na Fifa seria o seu último. Depois disso, o suíço declara que tinha o direito de mudar de ideia.

“E agora aqui estamos nós de novo, como se nada disso tivesse acontecido”, disse o presidente da Uefa, acrescentando que ele pediu há quatro anos aos membros da entidade europeia para apoiar Blatter “com base em uma mentira”.

Blatter enfrentava o catariano Mohamed bin Hammam, que se retirou dias antes da eleição, sob a acusação de subornar eleitores. A Fifa e Blatter passaram grande parte dos últimos quatro anos lidando com as consequências e os danos à sua reputação pelos escândalos envolvendo Bin Hammam e outros membros do seu comitê executivo, além das controversas escolhas da Rússia e do Catar como anfitriões da Copa do Mundo em 2018 e 2022, respectivamente.

Platini reiterou o seu apelo para “uma lufada de ar fresco” no comando da entidade. “E enquanto ele permanece no posto, se ele gosta ou não, e se é justo ou não, a Fifa vai carecer de credibilidade e sua imagem estará manchada, e por isso vai faltar autoridade”, afirmou.

“Mais ainda, será o futebol que sofrerá”, disse Platini, embora reconhecendo que Blatter “fez algumas coisas muito boas”. “A Fifa não vai desaparecer no momento em que ele sair. Pelo contrário, isso daria a chance de um novo sopro de vida na Fifa” afirmou.

O príncipe Ali oferece essa chance, assegurou, já que “sempre é muito positivo e luta pelo que acredita”, disse Platini. “É sincero e humilde e vem de um país que une diferentes culturas e tradições. Ele pode acrescentar valor, e também é alguém que sabe trabalhar em equipe”, concluiu Platini.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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