O racismo travestido de humor não é mais tolerado

SÃO PAULO – Já faz um tempo que os humoristas que usam o youtube são alvos de constantes denúncias do seu próprio público e em seu próprio território que é a internet. Entre piadas machistas, xenofóbicas e racistas o que antes parecia ser um escudo, agora não é mais.

O youtuber Júlio Cocielo, do canal Canalha, perdeu patrocinadores após fazer uma comentário racista no Twitter. No último dia 30, durante o jogo entre França e Argentina pela Copa do Mundo, o influenciador usou a rede social para declarar que “Mbappé conseguiria fazer uns arrastão top na praia”. O comentário revoltou alguns internautas que questionaram as marcas que trabalharam com o youtuber.

Há pelo menos vinte anos as piadas racistas eram aceitas com mais naturalidade, ou pelo menos era o que parecia. Tratava-se de uma geração que não tinha voz e vivia a total cultura do medo e da aceitação.

Os anos são outros, essa geração está visivelmente mais inclinada a não aceitar de forma alguma o racismo travestido de humor. Se por um lado existe a conscientização, por outro ainda existem pessoas que não aceitam o problema, não aceitam que os detalhes fazem total diferença nos números que não param de crescer quando o assunto é, morte de pessoas por causa do racismo.

Toda a discussão será desvalorizada se não conseguirmos entender que a raiz do problema está dentro daquilo que julgamos comum. Enquanto você encarar como bobagem um comentário que apoia e incentiva o preconceito, mortes continuarão acontecendo, “ah, mas era só uma brincadeira”, não. Era racismo!

 

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