O ouriço dos Vergueiro na Amazônia Parte II

Permanecerá em liberdade incondicional o conjunto de debates reunidos sob a denominação de Jornadas do Desenvolvimento, ao longo dos dois últimos anos, protagonizadas por pesquisadores desarticulados pela redução de investimentos em P&D, e empreendedores travados pelo proibicionismo burocrático.

O fruto desses debates, porém, organizados em caderno por servidores públicos das áreas de ciência e tecnologia, foi apresentado para as entidades do setor produtivo e agência de fomento, há dois meses, para virar projeto em direção ao mercado.

Este será um desafio prioritário para 2018. Afinal, as empresas industriais do Amazonas recolhem cerca de R$ 2 bilhões para pesquisa, qualificação acadêmica e interiorização do desenvolvimento socioeconômico.  Sobram recursos faltam projetos e vontade política de mudança.

O mesmo time que sistematizou os debates das Jornadas, sistematizou a criação da Rede Castanha, conjunto de pesquisas e empreendimentos em torno da castanha-do-Brasil, colhidos em oficinas realizadas em novembro de 2015, envolvendo atores locais, em torno das oportunidades das 1,5 milhão de castanheiras da Agropecuária Aruanã, com os preciosos e visionários ouriços dos Vergueiro, em Itacoatiara.

A Rede Castanha, do ponto de vista da investigação biotecnológica, retomou o fio da meada iniciado no Inpa e na USP, nos anos 80, com Charles Clement e Silvia Cozzolino, pós-doctor em micronutrientes, com ênfase em selênio. Doenças degenerativas, cognitivas, diabetes, atividades antioxidante, fortalecimento do sistema imunológico, são algumas das novas linhas de investigação de olho na nutracêutica e dermocosméticada biodiversidade amazônica.

Pesquisadora da USP, Farmácia e Nutrição, Cozzolino tem vindo a Amazônia porque aqui vislumbra as respostas para a nutrição integral, equilibrada, que provoca a longevidade e retarda o surgimento das moléstias.  Existem recursos abundantes no BNDES para prospectar negócios desta bioeconomia, projetos com alto valor agregado, baixa emissão de carbono e gerador de emprego e renda com escala.

Para ela, castanhas, resinas, óleos essenciais e fibras vegetais, demonstram que a riqueza da Amazônia é essencialmente florestal, posto que e a evolução biomolecular guarda o segredo da perenidade e da qualidade da vida.

Cabe lembrar que as pesquisas de micronutrientes levadas a efeito por Sílvia Cozzolino e Bárbara Cardoso – que relacionou consumo de Castanha com redução de déficit cognitivo –  utilizam as castanhas fornecidas pela Agropecuária Aruanã, onde a desidratação adota processos que não degradam moléculas de selênio. Ali um empreendimento se reporta a outros, como a eventualidade de exportar castanha filetada como nutracêutico, no tratamento preventivo de déficits da memória.

São produtos certificados, com comprovação orgânicas e processo de Denominação de Origem, como se faz com os vinhos, prestes a sair pelo INPI. No plantio em escala, além das mudas selecionadas para reflorestamento e adensamento florestal, de castanheira e de pupunha sem espinho, para produção de frutos e palmito, já há oferta de cumaru e copaíba, insumos para a indústria cosmética, fitoterápica e nutracêutica.

Estão à disposição do mercado, o material genético selecionado para enxertia de castanheira, pupunheira, madeira de castanheiras plantadas para diversos usos, incluindo energia de biomassa, para plantios de reposição assumida pelo Brasil no Acordo do Clima. O solo de Itacoatiara tem riqueza mineral surpreendente, de acordo com a EMBRAPA, e isso aparece nos frutos de pupunha in natura, nas sementes de pupunha sem espinhos, na qualidade das sementes de castanha pre-germinadas, nas toras de castanheira plantada para inoculação de cogumelos, tanoaria para envelhecer vinhos e destilados, como a cachaça reconhecida agora como bebida nacional do Brasil.

E nos ouriços de castanha, os Vergueiro descobriram respostas para diversas demandas globais, incluindo a fixação do carbono que amplia a oferta de emissão de oxigênio, os insumos industriais para produção que inclui ainda antimaláricos, ração animal e, sobretudo, a perspectiva de uma economia redentora que vai alinhar sustentabilidade e prosperidade num futuro que já começou.

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