Na reta final para alianças, partidos travam batalha para tirar candidatos da disputa

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Por Rosiene Carvalho, da Redação

MANAUS – As negociações para fortalecer ou tirar candidatos das urnas em 2016 desenhou, a oito dias do prazo final das convenções, a cara do mata-mata que já vinha se desenrolando nos bastidores políticos em Manaus. Nas últimas 24 horas, duas novas pré-candidaturas, a da deputada federal Conceição Sampaio (PP) e a Luiz Castro (Rede) foram lançadas, ampliando para 14 os nomes que dizem querer disputar a gestão da cidade pelos próximos quatro anos. Em uma semana, o eleitor vai saber quem não terá força para sobreviver aos lances da reta final. Até lá, como definiu o vice-governador Henrique Oliveira (Pros), “muita coisa ainda vai acontecer”.

Nas jogadas altas e baixas, cogita-se convencer retiradas de candidaturas como a de Hissa Abraão (PPS), Henrique Oliveira (SD) e da recém-lançada Conceição Sampaio (PP); organização de dossiês para disparos de ataques e contra-ataques no pleito; monitoramento das ações administrativas do prefeito para guerra jurídica; e até lançar a ex-primeira-dama Neimi Aziz (PSD) como vice de Arthur Virgílio Neto (PSDB). Apostas que consideram, ainda, a entrada, direta ou indireta, de dois importantes cabos eleitorais na disputa: o governador José Melo (Pros) e o senador Eduardo Braga (PMDB).

Por enquanto, aparecem sinais das fragilidades de pré-candidatos e as campanhas que já estão na trincheira pronta para guerra eleitoral. O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, com o comando da máquina e índice de rejeição que o preocupa, montou sua equipe jurídica há meses. E caminha tomando decisões para enfraquecer as possíveis candidaturas que possam apresentar mais riscos à sua reeleição. Neste mote, articula a escolha do vice na sua chapa sob o olhar do ex-governador do Estado e senador Omar Aziz (PSD), que não deve abrir mão de indicar nome de seu partido para a vaga.

Prefeito Artur e duas mulheres para vice

Na pretensão de enfraquecer possíveis adversários, Arthur tenta seduzir mais uma vez o PP a coligar como PSDB, cogitando a deputada federal Conceição Sampaio para vice e quebrando a aliança que a sigla vinha mantendo com o PMDB do senador Eduardo Braga, que tem como pré-candidato até agora o deputado Marcos Rotta.

Nesta jogada, Arthur tem como principal obstáculo sua própria conduta. O comandante do PP, o empresário Francisco Garcia, que é quem de fato toma as decisões na sigla, não esqueceu que o tucano abandonou a filha dele, Rebecca Garcia (PP), no altar, em 2014, quando ela disputava com José Melo a chance de ser a candidata do grupo na sucessão de Omar Aziz ao Governo.

Além disso, para o empresário manter o comando do PP no Estado é importante contar com um deputado federal em Brasília. Numa eventual vitória de Arthur Neto, perder influência no PP para ter um vice, que é um prefeito com caneta sem tinta, é um risco a se considerar.

O nome do presidente da ALE-AM, Josué Neto (PSD), é citado publicamente por Omar e Arthur como opção para a coligação do tucano. Mas, nos bastidores, outros pré-candidatos consideram que o grupo tem uma carta na manga que anda muito quieta: a ex-primeira-dama Neijmi Aziz (PSD). E, ontem, Garcia comentou com interlocutores e à noite confirmou ao site BNC que quer chapa própria.

Arthur costurou outras estratégias com objetivo de minar o terreno dos adversários. Por exemplo: contratou para sua equipe jurídica a maior parte dos advogados com maior expressão no Direito Eleitoral no Estado e conta, neste pleito, além de Yuri Dantas, com Daniel Nogueira e Marco Aurélio Choy. Os dois últimos assinam o processo que cassou o mandato do governador José Melo (Pros). O tucano também tentou contratar a advogada Maria Benigno, que, atualmente representa o vice-governador e pré-candidato Henrique Oliveira. A estratégia, alertada por Omar Aziz, é neutralizar possíveis processo como o que Melo enfrenta.

Marcelo com front armado

Outro pré-candidato que está com o front de batalha pronto é Marcelo Ramos (PR), apesar de manter as negociações por novos apoios à sua candidatura, mas “por respeitos aos demais pré-candidatos” não irá propor retirada de nome de ninguém.

Os sinais que a candidatura de Ramos dificilmente se desfaz, além dos dois anos de pré-candidatura, estão nas fases cumpridas: até convenção com exibição de apoio da militância Ramos já realizou e confirmou na sua aliança as siglas: PR, PTdoB, PEN, PPS e o PTC. E também, anunciou o candidato a vice, Wilson Lima, do próprio PR.

A equipe de marketing e jurídica, além de definidas estão em campo. No jurídico, Marcelo Ramos contratou o advogado e professor Francisco Martins da Silva, que embora não seja de carreira eleitoral, sempre que representou candidatos em ações judiciais no TRE se destacou por atuações firmes e com ganho de causas.

Quatro deputados federais

Na disputa deste ano, quatro deputados federais estão com pré-candidaturas postas para colocar o nome em exposição para o maior eleitorado do Estado com a situação cômoda de voltarem às suas cadeiras na Câmara Federal se nada der certo. São eles: Silas Câmara (PRB), Marcos Rotta (PMDB), Hissa Abraão (PPS) e, agora, Conceição Sampaio (PP).

Dos quatro, o único que já deu mais corpo à candidatura foi Silas Câmara. Contratou o marqueteiro de Omar Aziz (PSD), Jefferson Coronel, para a campanha. Também contratou advogado para representa-lo no TRE-AM, Júnior Fernandes, que atuou na defesa de vários prefeitos do interior e do governador José Melo, nas eleições de 2014.

Silas aparece

Silas articulou sua candidatura deste ano com antecedência, inclusive, trocou o PSD pelo PRB no tempo necessário a garantir seu nome nas urnas. Nos bastidores, circula informação de que Silas tem projetos ambiciosos para a eleição majoritária em 2018, cogitando uma das duas vagas ao Senado. O que faz sentido ter como estratégia de lançar seu nome para a disputa pulverizada em Manaus, considerando que sua votação é mais expressiva no interior e no eleitorado evangélico. Todos que conversam com o pré-candidato saem com a certeza de que, independente da motivação, Silas não decidiu entrar na campanha com corpo mole.

Rotta retraído

Apontado pela pesquisa do Instituto Diário desta semana como único capaz de encarar “tête-a-tête” o prefeito Arthur Neto no segundo turno, a postura da pré-candidatura de Marcos Rotta (PMDB) é inversamente proporcional ao fôlego que a pesquisa lhe confere. Ele próprio considera que ainda não tem o apoio direto de Braga, não tem equipe jurídica e de marketing definida. O que deve dificultar estratégias para vencer o tucano.

Passou a semana articulando, sozinho, segundo ele, alianças para fortalecer seu nome na disputa. Ainda não desistiu do namoro com o PP de Conceição Sampaio, com o PDT de Hissa Abraão, que é do mesmo grupo político que ele, e com o PCdoB de Eron Bezerra, que mantinha ao partido de Braga fidelidade similar ao que mantém ao PT em nível nacional.

Para conseguir estes apoios, Rotta precisa derrubar três pré-candidaturas postas. E, pela timidez de exposição dos últimos dias, dá sinais de que quer o apoio de Braga para as jogadas iniciais necessárias da disputa. “Eu espero que sim (que Braga entre na campanha). Tomara que ele entre e me ajude. Tem muita experiência. Mas sou vice-presidente do PMDB e estou cuidando e tenho independência para estruturar a campanha e realizar as reuniões”, afirmou.

Hissa cortejado para compor

O pré-candidato Hissa Abraão conseguiu um nanico para compor sua candidatura com o PDT, que há dois meses o ameaçava de expulsão, e o apoio do destaque nacional da sigla, Ciro Gomes, em Manaus. No entanto, mantém com mais retração que Rotta os rumos da campanha. Talvez a ameaça de expulsão do PDT tenha dado a ele o maior freio entre os pré-candidatos.

Questionado pelo AMAZONAS ATUAL sobre sua equipe, informou, por meio da assessoria de comunicação, que “prefere não divulgar nomes dos advogados e de quem vai chefiar o programa eleitoral”. Além dos rumores que adversários fazem circular dossiês contra ele da época em que foi secretário municipal de Obras na gestão de Arthur, Hissa é um dos pré-candidatos mais abordados por outros para que desista da sua candidatura. Por enquanto, ele faz questão de negar que vai desistir da disputa.

Henrique quer apoio de Melo

O terceiro candidato mais votado na eleição de 2012, Henrique Oliveira (SD), que sempre disputou as eleições com poucos recursos financeiros e apostou no seu carisma para conquistar expressivas votações, agora, corre atrás de pedigree para a disputa deste ano: articula para conquistar apoio direto ou indireto do governador José Melo, que tem se queixado a interlocutores do desprezo com que tem sido tratado pelo prefeito Arthur Neto.

Henrique quer dar colo para a rejeição de Melo e declarou ao AMAZONAS ATUAL que “com apoio do governador” derrota Arthur. No entanto, a reportagem apurou que PMDB afere à distância o grau de insatisfação de Henrique com “seu grupo político”. A ideia é “negociar” a retirada o nome do vice-governador da disputa para favorecer Rotta, considerando que o eleitorado dos dois se confundem.

O vice-governador nega as abordagens assim como a possibilidade de desistir da candidatura. “O que eu tenho a perder? Muita coisa ainda vai acontecer (na última semana da convenção)”, garante Henrique.

Deputados estaduais

Outros três deputados estaduais indicaram suas pré-candidaturas: o ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB), José Ricardo (PT) e Luiz Castro (Rede). Com imagens associadas a debates qualificados das questões sociais, estruturais e econômicas da cidade, os três são apostas para elevar o nível dos debates sem “sombras” de caciques políticos com imagens negativas e alavancar as chapas de vereadores de suas siglas.

A falta das “sombras” é justamente o ponto fraco dos três. Serafim já fez a convenção e anunciou chapa puro sangue. José Ricardo tenta atrair o PCdoB, e roda os terminais da cidade em cima de uma Kombi. Luiz Castro, que já havia desistido, da pré-candidatura voltou a ventilar que “pode” ser candidato.

Nesta quinta-feira, outro deputado se animou para lançar-se candidato: Abdala Fraxe (PTN). Apesar de negar que a candidatura tenha o objetivo de alavancar a chapa de vereadores, Fraxe quer o mesmo que o PSB, por exemplo. Com uma candidatura majoritária, os votos da legenda geralmente são potencializados, o que ajuda na eleição para os representantes do partido na Câmara Municipal.

Abaixo, a lista dos pré-candidatos a prefeito de Manaus

Arthur Virgílio Neto (PSDB)
Marcelo Ramos (PR)
Henrique Oliveira (SD)
Marcos Rotta (PMDB)
Serafim Corrêa (PSB)
Silas Câmara (PRB)
Hissa Abraão (PDT)
José Ricardo (PT)
Chico Preto (PMN)
Conceição Sampaio (PP)
Luiz Castro (PSOL)
Abdala Fraxe (PTN)
Eron Bezerra (PCdoB)
Marco Antônio Queiroz (PSOL)

1 Comentário on "Na reta final para alianças, partidos travam batalha para tirar candidatos da disputa"

  1. O Luiz Castro é da Rede Sustentabilidade!

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