Mudar ou morrer

É perceptível a inquietação dos eleitores com a iminência do pleito eleitoral. A repetir-se a tendência dos últimos pleitos, em que o número de votos de ausentes, brancos e nulos ganhou dos candidatos eleitos, teremos, mais uma vez, demonstradas a revolta e a descrença do eleitorado. As manchetes frequentes e recorrentes que descrevem o desarranjo da classe política apenas reforçam essa via de opção. Entretanto, se ruim com essa política, pior sem ela, já que não há debate nem tolerância ao contrário num modelo totalitário. Por isso, caminhar com a maioria, ou seja, manter a abstenção eleitoral é reforçar a desordem que aí está, já que os velhos caciques desenvolveram eficientes formas de eternização de suas práticas.

O Brasil ainda dá passos incertos rumo à maturidade democrática e só poderemos entender e reforçar essas mudanças na medida em que nos inserirmos nesse movimento. Se a classe política que aí está, em sua maioria, perdeu a credibilidade, cabe a todos nós, eleitores, debater esse assunto à exaustão, onde estivermos e com quem estivermos. Só assim poderemos fazer escolhas lúcidas e conscientes, e seremos capazes de acompanhar o desempenho de quem mereceu a confiança do cidadão. A classe política já percebeu a mudança no eleitorado e, hoje, com a comunicação instantânea, é possível ter o cidadão esclarecido e o político mais fiscalizado.

A atuação da Bancada Federal do Amazonas no Parlamento tem demonstrado as contradições e as razões de nossa contínua incapacidade de assegurar direitos constitucionalmente estabelecidos à Zona Franca de Manaus. Perdemos vantagens competitivas do Setor de Concentrados pela incapacidade de trabalhar em conjunto e pensar em um bem maior: os cidadãos do Amazonas. A Bancada que lá está passou os últimos anos em pé-de-guerra. Foram ao debate sem se armar de informação, por acreditar que ainda é possível ganhar no grito o reconhecimento de direitos. Temos de reconhecer que permanece a lógica de negociação política no Congresso, ou seja, a lógica da barganha, assim, se o Nordeste apoia o Norte, em contrapartida, irá cobrar o apoio dado.

Perdemos a batalha para a lógica dominante, com a redução de vinte para quatro por cento dos incentivos fiscais, no caso o IPI, de um dos setores que mais emprega e exporta, e perdemos porque a Bancada além de inábil, não possui capacidade de articulação e pouco se importa com os reais problemas que nos afetam, salvo raríssimas exceções. Perdemos porque não fomos competentes para, em vez de deixar o Amazonas ser transformado em exportador líquido de recursos, deveríamos ter atraído a Bancada Amazônica e exigir, em bloco, que essa receita de quase sessenta por cento da riqueza produzida pelo Amazonas, em vez de encher os cofres da União, ficasse na Região. Que governador, deputado ou senador não daria risada de orelha a orelha se dissesse ao seu eleitorado que ajudou a aplicar alguns bilhões de reais em projetos de desenvolvimento regional?

Estavam ali na defesa tardia do Setor de Concentrados políticos que já governaram o Amazonas e não souberam liderar essa movimentação redentora. Há cinquenta anos, dependemos do humor federal, num discurso inócuo de quem protege a floresta por acaso, sem necessidade de ter quase intacto o território amazonense. Temos de manter íntegra a dignidade dos ribeirinhos, dando-lhes o direito de empreender e estimulando a todos a fazê-lo em padrões de sustentabilidade. Quem quiser continuar como está não merece nosso voto. Temos de olhar para a imensidade do patrimônio natural que a Natureza nos legou e saber utilizá-lo com sabedoria e responsabilidade. Quem demonstrar que entende e propõe esse caminho como pauta do nosso debate será alvo de nossa provável escolha. O Amazonas não possui mais fôlego para viver sobressaltos, à mercê da Corte de Brasília, ou à mercê da insegurança jurídica. Para sairmos dessa posição vexatória, precisamos aprender a escolher os representantes certos, que estejam dispostos a promover uma mudança radical de atitude para com a sociedade organizada unir forças e lutar pelo bem maior de todos nós: o Amazonas.

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