Hamilton Mourão desafia Bolsonaro e volta a considerar 13º salário ruim

Hamilton Mourão foi anunciado como vice de Bolsonaro na disputa para presidente da República (Foto: Reprodução/Facebook)

Hamilton Mourão havia sido desautorizado a falar sobre 13 salário, mas voltou a criticar direito trabalhista (Foto: Reprodução/Facebook)

Por Guilherme Seto/Da Folhapress

SÃO PAULO – O general Hamilton Mourão (PRTB), vice na chapa do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), voltou a criticar o 13º salário nesta terça-feira (2).

“O 13º eu simplesmente disse que tem que ter planejamento, entendimento de que é um custo. Na realidade, se você for olhar, seu empregador te paga 1/12 a menos [por mês]. No final do ano, ele te devolve esse salário. E o governo, o que faz? Aumenta o imposto para pagar o meu. No final das contas, todos saímos prejudicados”, disse o general no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ele ficará na cidade até quinta-feira (4), gravando propagandas eleitorais com candidatos do PRTB.
Em palestra no Rio Grande do Sul na semana passada, ele chamou o 13º de “jabuticaba brasileira”, uma “mochila nas costas dos empresários” e “uma visão social com o chapéu dos outros”.

Após sua primeira crítica ao 13º, Mourão foi duramente repreendido por Bolsonaro, que pediu que ele ficasse ‘quieto’ porque estava ‘atrapalhando’. O presidenciável escreveu em suas redes sociais que quem fala em mexer no salário comete “ofensa ao trabalhador” e “confessa desconhecer a Constituição”.

“Se você recebesse seu salário condignamente, você economizaria e teria mais no final do ano. Essa é minha visão. Não pode acabar (o 13º). O que eu mostrei é que tem que haver planejamento. Você vê empresa que fecha porque não tem como pagar. O governo tem que aumentar imposto, e agora já chegou no limite e não pode aumentar mais nem emitir títulos. Uma situação complicada”, continuou Mourão nesta terça (2), destacando que o 13º é um dos ‘custos’ que o Brasil precisa diminuir para ter competitividade internacionalmente.

O general falou que a única possibilidade de mexer no 13º salário seria um “amplo acordo nacional para aumentar os salários”. “Tem governos estaduais que pagam atrasado. Não pode mudar (o 13º salário), está enraizado. Só se houvesse um amplo acordo nacional para aumentar os salários. Os salários são muito baixos, né? Você olha a nossa faixa salarial e ela é muito ruim”, concluiu, sobre o tema.

Sobre a chamada de atenção ríspida que recebeu de Bolsonaro, o general atribuiu à “maneira dele de se expressar” e recorreu a uma expressão em inglês para dizer que não vê problemas: ‘I can live with that’ (‘posso viver com isso’).

O general ainda comemorou os números do Ibope divulgados na segunda-feira (1º), que mostraram crescimento de quatro pontos de Bolsonaro, que chegou a 31%, e estagnação de Fernando Haddad (PT), que se manteve nos 21%. Além disso, a pesquisa também mostrou crescimento de 11 pontos na rejeição do petista.

“Pessoal está se dando conta que não podemos aceitar a volta de todos os erros cometidos pelo PT. Estão caindo na real. A esquerda teve o seu momento e agora tem que deixar o outro lado chegar e tocar o país. É a necessidade de mudar o país, abraçarmos o liberalismo, termos abertura comercial e austeridade e moralidade, que não foi o que o outro lado mostrou”, disse Mourão.

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