Melo vendeu lancha de R$ 3 milhões que não constava em relação de bens na eleição de 2014, diz a PF

José Melo na época em que inaugurou Barco PAI para fornecer serviços públicos no interior (Foto: Joel Arthus/Secom)

Por Henderson Martins, da Redação

MANAUS – O ex-governador José Melo (Pros) vendeu em 2014, quando foi reeleito, uma lancha no valor de R$ 3 milhões. A compra foi feita pela empresa Juruá Estaleiros Navegação Ltda., que tinha contrato com o Estado e havia recebido, na época, mais de R$ 91 milhões, diz a PF (Polícia Federal), no inquérito da Operação Estado de Emergência, que prendeu o ex-governador, e ao qual o ATUAL teve acesso. A lancha, segundo a PF, não constava na declaração de bens da campanha eleitoral de Melo, que teve o mandato cassado em maio de 2017 por compra de votos na eleição estadual.

A força-tarefa da operação tenta localizar a ‘lancha fantasma’. De acordo com a PF, em 2014 o ex-governador informou na declaração de bens que tinha apenas duas embarcações (um flutuante Tapiri, no valor de R$ 55.322,13, e o barco Tapiri 2, no valor de R$ 125.785,00). A fonte de renda era o salário de R$ 17 mil como governador. “O ex-governador recebeu R$ 3 milhões da empresa Juruá Estaleiros, que segundo informações foi pela venda de uma lancha”, cita a PF.

Na época, a Juruá Estaleiros foi contratada para prestar serviços de engenharia, reforma e adequação de embarcações. A companhia também forneceu embarcações para o projeto Barco PAI (Pronto-Atendimento Itinerante) que presta serviços públicos no interior do Estado.

A Polícia Federal também identificou movimentação financeira suspeita. Uma TED (Transferência Eletrônica Disponível) de R$ 300 mil foi feita da conta bancária do ex-governador para a conta de sua mulher, Edilene Gomes de Oliveira, também presa pela operação. O valor era incompatível com os bens declarados por Melo, segundo a PF.

Conforme consta no relatório, Melo movimento R$ 7,253 milhões entre dezembro de 2015 e junho de 2016 em uma única conta bancária do Bradesco.

Além da transferência de R$ 300 mil para a conta de Edilene Oliveira, Melo também transferiu R$ 200 mil para Emmanuelle Vilela Lins Garcia Gil, que é sócia do Universidade Nilton Lins e de outras cinco empresas, uma delas no Ceará.

Ainda de acordo com o inquérito da Polícia Federal, no mesmo dia em que Melo transferiu os R$ 300 mil para a conta de Edilene Gomes de Oliveira ela fez uma transferência de mesmo valor para Carlos Edson Guedes de Oliveira, “que segundo informações disponíveis teria constato de mídia por suspeita de ser laranja de político da região”, diz o documento. Carlos Edson é presidente da Gráfica Novo Tempo. Em 2012, recebeu a Medalha do Mérito Legislativo da Assembleia Legislativa do Amazonas por indicação do deputado estadual Sidney Leite (Pros).

Confira trechos do relatório da PF sobre o ex-governador.

Mouhamad Moustafa

Médico proprietário das empresas Simea (Sociedade Integrada Medica Do Amazonas Ltda.) e Salvare Servicos Medicos Ltda, Ele foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) como sendo o mentor de uma organização criminosa que desviava dinheiro da saúde pública do Estado do Amazonas, através de um contrato da Susam (Secretaria de Estado de Saúde) com o Instituto Novos Caminhos, que a Justiça Federal diz ser de Mouhamad Moustafa. Em 2016, a CGU (Controladoria Geral da União), a Polícia Federal e o MPF deflagraram a Operação Maus Caminhos, que desarticulou a organização criminosa. Em maio de 2015 o médico foi condenado a 15 anos de prisão na primeira instância da Justiça Federal. A defesa de Mouhamad Moustafa diz que o médico é inocente e recorreu da decisão. Ele aguarda o julgamento dos recursos em liberdade, mas é réu em outras ações penais originadas da Operação Maus Caminhos.

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