Melo diz que foi ‘ingênuo’ no TRE e ouviu de ministros que destino de processo é ‘lata do lixo’

José Melo disse que pelo menos quatro candidatos a prefeito o apoiaram em 2014 (Foto: Valdo Leão/Secom)

José Melo disse que não perderá o mandato em processo no TSE (Foto: Valdo Leão/Secom)

MANAUS – “Eu não cochilei, fui ingênuo. Hoje eu não sou mais”. A frase foi dita pelo governador José Melo (PROS) sobre o processo de cassação de seu mandato pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Amazonas, em entrevista à Rádio Tiradentes, no início da manhã desta terça-feira, 13. Na mesma entrevista, ele disse que ouviu de ministros (sem citar de qual tribunal) que o processo contra ele é nulo e que o destino dele deve ser “a lata do lixo”.

Em um primeiro julgamento, o TRE do Amazonas cassou o mandato de Melo e do vice, Henrique Oliveira, mas depois, em outro processo julgado em outubro, o absolveu por quatros votos a três depois de uma mudança na composição do tribunal. Segundo Melo, “todos os tribunais superiores já sabem das nulidades desse processo”.

Sanha de Braga

Melo disse que, além da crise econômica que atingiu o governo, ele teve que defender o mandato “da sanha de um candidato derrotado que não teve competência para ganhar uma eleição”, referindo-se aos processos movidos na Justiça eleitoral pelo senador Eduardo Braga (PMDB), candidato derrotado por Melo nas eleições de 2014. O governador disse que o julgamento que cassou o mandato dele no TRE do Amazonas foi feito “em cima de um processo mentiroso, onde eu fui cassado por compra de voto e não tem uma única testemunha que diga que houve compra de voto”.

Segundo Melo, as duas testemunhas que estão no processo, admitidas pelo relator no TRE, o juiz Francisco Marques, são os dois policiais federais que fizeram a apreensão de material e prenderam Nair Blair e uma vereadora de Parintins às vésperas do segundo turno em um comitê de campanha de Melo. “Quando perguntados se teve compra de votos, (esses policiais) disseram que não podiam dizer que houve compra de votos porque não viram. O que viram foi uma reunião estranha”, disse Melo na entrevista. “A justiça brasileira inovou: cassou um governador por conta de uma reunião estranha”, ironizou.

Questionado se deu uma cochilada no TRE, Melo disse que não cochilou e que não interfere nos poderes. “Eu não cochilei, eu fui ingênuo. Hoje eu não sou mais”.

Melo, no entanto, evitou criticar diretamente o Tribunal Regional Eleitoral. Questionado se o adversário Eduardo Braga teria articulado no TRE a sua cassação e do vice, Melo disse que não poderia dizer isso porque estaria prejulgando o tribunal. “O que eu quero te dizer é que eu estou agora pessoalmente tomando conta de tudo no meu governo, da minha vida enquanto tribunal e da minha vida enquanto governador”.

Braga e Arthur

Sobre o julgamento do processo no TSE, o governador José Melo disse que o senador Eduardo Braga “não só está torcendo” para que ele acontece ainda neste ano, mas vive nos corredores do tribunal em Brasília fazendo lobby. “Ele (Braga), não só está torcendo. E se fosse só ele, dava-se um jeito. É ele e o prefeito de Manaus, Arthur Neto. Vivem nos corredores dos tribunais superiores pedindo a cassação do meu mandato”.

O governador disse que a empresa fantasma de Nair Blair, contratada durante a Copa do Mundo de 2014, “foi uma mentira incluída no processo” contra ele. “Antes havia uma mentira de um contrato de uma empresa de R$ 1 milhão para a compra de votos. Essa mentira foi toda desfeita porque eu tive o cuidado de fazer. Então, hoje, nenhum ministro daqueles vai mais na conversa fiada dessa mentira”, disse.

Lobby no TSE

Ao mesmo tempo em que condenou o lobby feito por Eduardo Braga, denunciado pelo presidente do TSE, Gilmar Mendes (confirme noticiou a Folha de São Paulo), o governador José Melo revelou que ele faz lobby também para se livrar da cassação no Tribunal Superior Eleitoral.

Questionado se o processo no TSE não cassa o mandato dele, Melo respondeu: “Eu acho que o Tribunal Superior Eleitoral vai ver todas as nulidades do processo. Eu ouvi isso de muitos ministros e ouvi isso de milhões de advogados; que o destino daquele processo era a lata do lixo, porque ele teve erros desde a origem”.

Entre os erros, o governador falou do fato de a Polícia Federal agir sem mandado judicial para flagrar Nair Blair durante uma reunião com pastores de igrejas evangélicas às vésperas do segundo turno da eleição. “Um policial federal, de modo próprio, resolve fazer uma campana, sem ordem judicial, sem o Ministério Público saber. A Justiça Eleitoral é uma justiça especializada. Você não pode agir de modo próprio”, disse.

1 Comentário on "Melo diz que foi ‘ingênuo’ no TRE e ouviu de ministros que destino de processo é ‘lata do lixo’"

  1. O pior Governador que eu já vi!

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