Melo diz que Afeam financiava até hotel e fábrica de camisinha

Presidente afastado da Afeam, Evandor Geber Filho admitiu que empresa não cumpriu contrato (Foto: Afeam/Divulgação)

Presidente afastado da Afeam, Evandor Geber Filho admitiu que empresa não cumpriu contrato (Foto: Afeam/Divulgação)

Da Redação

MANAUS – A Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas) destinava dinheiro até para compra de hotel e olaria. Esses financiamentos foram disponibilizados no governo de Eduardo Braga (PMDB), hoje senador, disse o governador José Melo (PROS) em entrevista à Rádio Tiradentes, de Manaus, na manhã desta terça-feira, 13. “As pessoas precisam entender que no governo do Eduardo (Braga), grande parte dos recursos da Afeam eram direcionados para grandes empréstimos. Emprestaram R$ 12 milhões para a compra de uma olaria, emprestaram R$ 6 milhões para fazer uma fábrica de camisinha e mais não sei quantos milhões para comprar um hotel”, disse Melo.

Conforme o governador, quando assumiu o governo (em abril de 2014, ao substituir o então governador Omar Aziz-PSD, que se elegeu para o Senado) decidiu cortar esses financiamentos. “Tomei uma medida radical e decidi cuidar do microempreendedor através do Banco do Povo. Então, aquilo que era dado para uma pessoa só eu passei a dar para milhares de pessoas através do Banco do Povo”, afirmou.

O governador não revelou os nomes dos grandes devedores de empréstimos obtidos da Afeam. O MPC (Ministério Público de Contas) e o MP-AM (Ministério Público do Amazonas) haviam cobrado a divulgação da lista de inadimplentes. Atualmente, a Afeam é investigada por aplicar R$ 20 milhões em uma transportadora do Rio de Janeiro que é suspeita de ser fachada para desvio de dinheiro público. A TransExpert S.A. é investigada por suspeita de integrar esquema de fraudes no governo do Rio de Janeiro.

Melo disse que a Afeam utiliza o mercado financeiro para se capitalizar. A autarquia estadual tem, atualmente, R$ 200 milhões em caixa que aplica no mercado de capital. “É dessa aplicação que ela tira recursos para sua manutenção, porque o Banco do Povo é só 2% ao ano. Isso não sustentaria a Afeam. Esse é um crédito subsidiado”, disse.

Conforme o governador, a diretoria da Afeam também teve um momento de “leseira”. “Qual foi o momento de ‘leseira’ da Afeam? Aplicar R$ 20 milhões de reais numa empresa sem ter os cuidados de verificar se ela tinha a estrutura e organicidade para aquele dinheiro render os juros, retornar à Afeam. A empresa quebrou e aí está o processo”, disse, referindo-se à ação na Justiça para recuperar o recurso.

Melo disse que todos os procedimentos para apurar a situação foram tomados. “Eu pedi uma auditoria do Banco Central. Eu afastei a diretoria, coloquei uma pessoa para responder. Agora, vamos fazer a eleição da nova diretoria da Afeam e esse processo segue o curso até ser concluído. O Banco Central me deu 30 dias para fazer isso e o processo não vai ser resolvido nesse curto espaço de tempo e, evidentemente, uma nova diretoria será necessária”, declarou.

O governador disse ter pouca ingerência na Afeam, que tem autonomia de gestão. “O governador não está lá dentro da Afeam para aprovar créditos. Os créditos são aprovados de acordo com as regras do Banco Central e com a diretoria da Afeam que tem um conselho diretor, um conselho fiscal e uma auditoria externa, indicadas pelo Banco Central. Tem todo um arcabouço de proteção”, justificou.

O ATUAL tentou contato com o senador Eduardo Braga, por telefone, mas não obteve sucesso.

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