Mãe e três filhas morrem em desabamento durante chuva intensa em Manaus

alagacao-2

Comunidade Grande Vitória, na zona leste de Manaus, foi alagada pela chuva intensa (Foto: Bombeiros/Divulgação)

Da Redação

MANAUS – Comum em dias de chuvas intensas em Manaus, ruas alagadas e transbordamento de igarapés expõe um problema sem solução: a falta de drenagem urbana. Córregos naturais que poderiam escoar a água da chuva, os igarapés, ocupados por habitações e assoreados, se tornam um risco para os habitantes. Transbordam aumentando o perigo de desabamento e acidentes de trânsito.

Nesta terça-feira, 27, as mais de cinco horas de chuva intensa causaram os estragos de sempre e com um agravante: quatro mortos e dois feridos. Entre os mortos, uma menina de oito anos. Ela foi soterrada por um deslizamento na Rua 11 de setembro, Comunidade Nova Vitória, na zona leste da cidade. A mãe e duas irmãs da menina também morreram. Sâmela, de 8 anos, Samiele, de 10, e Sâmile Costa de Castro, de 14 anos, além da mãe delas, Maria do Socorro da Costa Protazio, 42 anos, morreram.

Casa e lojas também foram invadidas pelas águas em vários bairros de Manaus. Na Compensa, zona centro-oeste, o igarapé transbordou e inundou a Avenida Brasil, principal via de acesso. A água invadiu residências e comércios. Na Betânia, zona centro-sul, a situação foi a mesma. Também ocorreram alagamentos na Praça 14, na zona centro-sul. Os moradores da Rua Duque de Caxias agiram rápido para salvar os móveis empilhando-os em cima de mesas. Moradores da Rua Pinheiro, no Loteamento José Bonifácio, Cidade Nova (zona norte), e na Rua Copaíba, no Ouro Verde (zona leste), passaram pela mesma situação.

Na Ria 31 de Março, no bairro da Betânia, os moradores ficaram ilhados dentro de casa. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, a rua virou um rio. A jornalista Ada Lima mora no local há 28 anos e diz que todo ano sua família enfrenta problemas com alagações nesta época do ano. “Começou a alagar desde a hora em que começou a chuva. Toda vez que chove é isso. Tem um rip-rap aqui, mas de nada adianta. Não escoa a água e continua a alagar as casas quando as águas da chuva fazem o Igarapé da Betânia transbordar. Isso é falta de contenção”, disse.

Na Avenida Grande Circular, no bairro Cidade de Deus zona leste, um barranco deslizou e atingiu a rua. A chuva também gerou uma cena rara em Manaus. Dois jacarés foram capturados por moradores no Igarapé do Quarenta. Um outro animal foi capturado na Avenida Manaus 2000, bairro Distrito Industrial 1(Zona Sul) próximo ao estacionamento de um supermercado.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a média de chuva acumulada nas últimas 24h na cidade foram de 82,4 milímetros. Pluviômetros do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) chegaram a registrar, em alguns pontos 112 milímetros. Já o pluviômetro da Defesa Civil, localizado na zona Oeste registrou 90 milímetros de chuva.

O Inmet informou que a precipitação normal para o mês de dezembro é entre 190 e 200 milímetros. Entretanto, até ontem foram registrados 333,6 milímetros de chuva. Se somado o acumulado com a média registrada hoje (que ainda está em crescimento), irá ultrapassar os 415 milímetros de chuva, o que já é mais que o dobro do esperado.

Veja vídeo da Avenida Brasil, na zona centro-oeste.

Seja o primeiro a comentar on "Mãe e três filhas morrem em desabamento durante chuva intensa em Manaus"

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.