Leis de Murphy e o Brasil

Um brasileiro foi cobaia e a primeira vítima ‘oficial’ da temida Lei de Murphy, a que afirma: “Se algo pode dar errado, vai dar errado”. O artigo complementar da lei frisa ainda: “Dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível”.

Talvez essa afinidade entre Brasil e Lei de Murphy está fazendo muitos torcedores temerem o desempenho da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2018.

Isso porque Neymar, o melhor jogador do País, precisou passar por uma cirurgia no pé direito no sábado (03). A fratura no quinto metatarso já deixou o atacante de fora do confronto entre Paris Saint-Germain e Real Madrid (06).

Quando Neymar ficou de fora de duas partidas no Mundial de 2014, o Brasil foi estraçalhado por 7 a 1 da Alemanha e apanhou da Holanda por 3 a 0.

A contusão do craque do time, logo agora perto do início da Copa na Rússia, não significaria que a Seleção Brasileira é a vítima da vez da terrível Lei de Murphy?

Pior é que, em 2018, o responsável por formular e dar nome a essa lei completou 100 anos de nascimento.  E se a efeméride tornar a aterrorizante lei ainda mais forte?

Tudo começou, em 1949, quando o major (na época, capitão) Edward Alvar Murphy (11 de janeiro de 1918 — 17 de julho de 1990) trabalhava como engenheiro aeroespacial da Força Aérea Americana e testava os efeitos da desaceleração brusca em pilotos de aeronaves.

Para fazer essa medição, o panamenho Murphy construiu um aparelho para registrar o batimento cardíaco e a respiração dos pilotos. A cobaia era um brasileiro: o médico e coronel do Exército Americano, John Paul Stapp.

Durantes os testes, Stapp se estrepou todo para bater o recorde de aceleração, chegando a quebrar algumas costelas e romper alguns vasos sanguíneos.  O esforço valeria a pena se na hora de constatar os dados não se verificasse que nada havia sido registrado.

Algumas falhas pontuais nas medições era até aceitável, mas pane total na aferição era muito estranha. Quando Murphy foi checar o porquê do defeito, descobriu que o técnico responsável errou o encaixe de todos os 16 medidores! Se ele tivesse acertado a posição de pelo menos um, alguma coisa do experimento de Stapp poderia ser aproveitada.

Foi no relatório sobre o episódio que Murphy expressou a primeira versão da lei: “Se há mais de uma maneira de se executar uma tarefa ou trabalho, e se uma dessas maneiras resultar em catástrofe ou em consequências indesejáveis, certamente será a maneira escolhida por alguém para executá-la”.

Murphy passou muitos anos da sua vida tentando demonstrar que a lei que levava seu sobrenome não devia estar relacionada ao azar e ao fracasso, como muitos acreditam. Segundo ele, a sua máxima está conectada a questões como a prevenção de acidentes, para evitar desastres.  É claro que ele próprio acabou vítima da Lei de Murphy e a tese que ele defendia acabou sendo ignorada.

De fato, ao ser relacionada às ocorrências malsucedidas da vida cotidiana, a Lei de Murphy ficou famosa e ganhou vários artigos, parágrafos e incisos. Alguns exemplos: “Quando um trabalho é mal feito, qualquer tentativa de melhorá-lo piora”, “Se você joga fora alguma coisa que tem há muito tempo, você vai precisar dela logo”; “Nada é impossível para quem não tem que fazer o trabalho”; “Ninguém nunca está ouvindo, até você falar uma besteira”; “A fila ao lado sempre anda mais rápido”; “Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada”; “Se você é capaz de distinguir entre o bom e o mal conselho, então você não precisa de conselho”; “A probabilidade de você encontrar uma garota bonita lhe dando bola aumenta se você está com a namorada”; “Toda partícula que voa sempre encontra um olho” e As coisas podem piorar, você é que não tem imaginação”.

Alguns cientistas se dedicaram a entender os efeitos dessa lei tão realista.  Em 1995, o físico Robert Matthews publicou um tratado sobre o assunto intitulado “A Torrada em Queda – A Lei de Murphy e as Constantes Fundamentais”, que chegou a ganhar o prêmio “IgNobel” no ano seguinte. Amparado por complexos cálculos matemáticos, Matthews confirmou que: “O pão sempre cai com o lado da manteiga virado para baixo”. Em 9.821 quedas analisadas, 6.101 foram com a manteiga para baixo!

Como não podia deixar de ser, o futebol também tem suas versões sobre a lei de Murphy, como: “A única falta que o juiz de futebol apita com absoluta certeza é aquela em que ele está absolutamente errado”. “Jogador ruim do seu time não se machuca”. “O responsável pela derrota do seu clube é o jogador que foi dispensado”. Há ainda, a Lei da CBF: “Quando chega a sua vez, mudaram as regras”.  Lei Telê Santana: “Nada é mais inevitável quanto um erro que você prevê”. Lei Pelé/Neymar (ou Lei Vinícius Júnior): “Basta ser popular pra ficar impopular”.

E, falando em Neymar, e se ele se recuperar e for decisivo para o Brasil na Copa de 2018? Como fica Murphy? A explicação é a mesma dada pelo cientista que estudou as torradas e viu que algumas vezes o pão caiu com o lado da manteiga para cima: “Até a Lei de Murphy pode dar errado.”

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