Jogadores doam 1% do salário em projeto social inédito de futebol, na Europa

Juan Mata foi o fundador do Common Goal, projeto social de futebol com participação de jogadores (Foto: YouTube/Reprodução)

Juan Mata foi o fundador do Common Goal, projeto social de futebol com participação de jogadores (Foto: YouTube/Reprodução)

Do Estadão Conteúdo

MADRI – Nunca foi segredo para ninguém o poder de transformação que o futebol tem, mas uma iniciativa promete revolucionar a relação entre profissionais do esporte e projetos sociais. Criada há pouco mais de três meses, a Common Goal nasceu para facilitar o vínculo entre atletas interessados em ajudar e instituições que fazem da modalidade uma ferramenta de mudança na vida de jovens carentes.

O projeto foi fundado em agosto por uma organização já existente a StreetFootballWorld, com o auxílio do espanhol Juan Mata, meia do Manchester United. A ideia é simples: cada jogador que aderir à iniciativa doará mensalmente pelo menos 1% do salário para instituições de caridade pré-determinadas.

“A Common Goal é uma iniciativa para construir uma ponte sustentável entre o desenvolvimento econômico do futebol e o impacto social criado pela modalidade. Juan Mata se juntou a nós durante a incubação e foi o primeiro jogador a anunciar seu comprometimento com o 1%, em 4 de agosto”, explica o alemão Jürgen Griesbeck, CEO da StreetFootballWorld e cofundador da Common Goal, em entrevista ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’.

Até o momento, são 20 profissionais do futebol comprometidos com o projeto, entre jogadores, jogadoras e um técnico – Julian Nagelsmann, do Hoffenheim. Os nomes mais conhecidos são o próprio Mata, o alemão Mats Hümmels, campeão mundial no Brasil em 2014, o japonês Shinji Kagawa e o italiano Giorgio Chiellini, entre os homens, além de Alex Morgan e Megan Rapinoe, entre as mulheres. Chama a atenção, porém, a ausência de grandes ídolos que trariam à iniciativa mais popularidade através de suas imagens, como Lionel Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo, entre outros.

“No geral, acho que quanto maior o nome, mais propostas e pedidos os jogadores recebem e mais protegidos são pelos agentes clubes e pais”, opina Griesbeck. “Além disso, alguns dizem: ‘Mas já ajudo de muitas formas, tenho minha própria fundação. Acho que confundem a Common Goal com outro projeto qualquer e não veem o caráter do movimento, com a ambição de levar o futebol ao próximo nível”.

É aí que entra Juan Mata. Além de ter sido o primeiro a aderir ao projeto, o espanhol tem o papel de atrair colegas, adversários, todos que estiverem dispostos a ajudar. Ex-companheiro de nomes como Ramires, Oscar e David Luiz – todos no Chelsea -, porém, ele ainda não estendeu o convite a nenhum brasileiro.

“Eu entro em contato com os jogadores através de mensagens ou ligações, entre aqueles que eu conheço, ou através das redes sociais, com os outros. Ainda não falei com nenhum brasileiro, mas o farei em breve. Normalmente, os atletas reagem muito bem à ideia, mas tomar a decisão de se juntar à causa é outra história”, conta o jogador do Manchester, também em entrevista ao Estado.

A ausência de brasileiros, no entanto, não significa a falta de vontade de ajudar. Pelo menos é o que garante quem fez da carreira no futebol uma forma de auxiliar aqueles que mais precisam. É o caso do tetracampeão mundial Raí. Criador da Fundação Gol de Letra, ao lado do também ex-jogador Leonardo, ele teve sua trajetória estreitamente ligada ao apoio a causas sociais.

“É importante que a Common Goal venha a ter brasileiros, mão dá para generalizar o comportamento. Tem bastante gente que doa. Se você pegar o geral, o número poderia ser maior, claro. Mas acho que os jogadores ainda não compraram a ideia desse projeto em si o que não significa que não ajudam de nenhuma forma. Apenas preferem direcionar a doação para programas com os quais se identificam mais”, afirmou Raí ao Estado.

Ele próprio, porém, se mostrou atraído pelo projeto de Griesbeck e Mata e prometeu tentar contato com o espanhol em breve. “Acho uma grande iniciativa. E digo mais: é o mínimo que os jogadores deveriam fazer. Acho importante esta coisa de assumir um compromisso, criar a cultura de doação até para ficar de exemplo”, avalia. “Eu tenho ido bastante para a Inglaterra e quero encontrar com o Mata logo, logo”.

O fato é que com ou sem a presença de grandes craques ou de brasileiros, a Common Goal vai alcançando seu objetivo e já arrecadou cerca de 600 mil euros que serão destinados a partir de janeiro a mais de 120 instituições, espalhadas por 80 países pelo mundo. “São comunidades que usam o futebol para mudança social. A modalidade é apenas uma ferramenta, mas uma ferramenta única. Ela permite atrair jovens vivendo em ambientes desafiadores e os mantêm por perto por tempo suficiente para que seja construída uma relação de confiança”, avalia Griesbeck.

Ao menos mais 14 novos jogadores serão apresentados como parceiros da Common Goal ao longo deste mês de novembro e se juntarão a este projeto que cresce a cada mês. “O fato é que vivemos em situação privilegiada e, através do futebol, podemos ajudar as pessoas. Acredito que o esporte – e o futebol, em particular – tem o poder de unir pessoas como nada mais tem no mundo. É isso que estamos fazendo e é algo que esperamos espalhar para outros esportes, para que passe a ser uma norma”, projeta Mata.

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