Investigação sem nomes é brincar com a segurança

Informações na imprensa local dão conta de que a investigação das 34 mortes (ou 35, pois há divergência de números) registradas em um único fim de semana em Manaus será concluída nesta semana, mas o relatório não deve apontar nomes dos autores dos assassinatos em série. Essas mesmas informações dão conta de que o grupo que agiu neste mês foi formado no ano passado, após a morte do sargento da Polícia Militar José Cláudio Marques da Silva, que trabalhava como segurança do candidato ao governo do Amazonas Marco Antônio Chico Preto (PMN).

Na ocasião, o grupo teria matado dois suspeitos de participarem do crime do sargento Cláudio Marques da Silva. Agora, depois da morte do sargente Afonso Camacho Dias, na sexta-feira, 17, uma nova onda de assassinatos teria sido praticada pelo mesmo grupo. Nos bastidores da segurança pública comenta-se que as investigações do caso chegaram a identificar quatro carros que agiram ao mesmo tempo em pontos diferentes da cidade, praticando os assassinatos. Esses veículos foram filmados pelas câmeras de segurança do Ciops (Centro Integrado de Operações de Segurança).

Ora, pelas imagens não é possível identificar os donos dos veículos? Uma investigação isenta não colocaria a situação às claras, com as devidas prisões dos suspeitos? Se há policiais envolvidos nas mortes, não deveria a sociedade saber quem são?

O governador José Melo, desde que começou a falar sobre o assunto, tem dito que os crimes em série foram uma reação ao trabalho da policia do Amazonas de combate ao tráfico de drogas. No sábado, 25, disse não acreditar em grupo de extermínio atuando em Manaus. Se confirmada a participação de um grupo dentro da polícia que age para vingar a morte de colegas, não seria tal grupo de extermínio?

No início da semana passada, o especialista em segurança pública Diógenes Lucca, em entrevista à Globo News, sugeriu que o secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, afastasse os comandos da Polícia Civil e da Polícia Militar para fazer um trabalho isento de investigação. Na sexta-feira, 24, o governador José Melo considerou a proposta absurda.

Quando da divulgação do relatório será possível saber se o governador tinha razão ou se o especialista Diógenes Lucca é quem estava certo. Confirmada a informação de um relatório sem nomes, o governador terá que se explicar para a sociedade.

Também na semana passada, o Ministério Público do Estado do Amazonas entrou na investigação. O procurador ­geral de Justiça, Fábio Monteiro, designou três procuradores para acompanhar o caso, entre eles, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, Mauro Veras Bezerra. A intenção, de acordo com a assessoria do MP estadual era unificar os esforços para identificar e responsabilizar criminalmente os envolvidos nas mortes e elucidar se policiais participaram dos assassinatos. Será que o MP vai assinar embaixo caso o relatório não aponte culpados?

É uma série de questões que precisam ser respondidas.

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