Indústria e a reinvenção indutiva

A indústria precisa reinventar seus paradigmas e produtos porque a sociedade, a Ciência e o avanço da civilização assim o determinam. Com essa mudança de modelagens, o avanço tecnológico e o compromisso da logística reversa estamos autorizados a afirmar que os produtos hoje presentes no cardápio da planta industrial de Manaus, por exemplo, começam a encurtar seu prazo de validade. Mesmo dispositivos como o LOC. Lab-on- a-chip, também conhecido como sistema micro-analítico-total (microTAS) ou dispositivo de microfluidos, deverão adotar padrões de manufatura que reduzam, ao máximo, tanto o consumo de combustível, como resíduos a serem ordenados após o prazo de utilidade racional.

Para um país pródigo em alternativas de biotecnologia como o Brasil e para uma região como a Amazônia, empreender na perspectiva da nova indústria supõe olhar além do horizonte e criar soluções tecnológicas no paradigma cada vez mais harmonioso entre economia e ecologia. Eis um exemplo do que se pode querer do PPB indutivo, ou seja, dos processos produtivos desejáveis. Essa adequação às exigências do poder público para autorizar a diversificação industrial no Amazonas, precisa curvar-se às premissas tecnológicas no contexto da contrapartida fiscal da economia do Amazonas e da Amazônia Ocidental. Nesse cenário, o PPB Indutivo – uma licença prévia para evitar os danos de embargo de gaveta que temos sofrido – seria aprovado a partir de novos critérios. Em outras palavras: se a Constituição do Brasil só isenta 5 produtos para receber isenção fiscal para fabricação em Manaus, serão priorizados indutivamente os produtos que demonstrarem compatibilidade entre economia e ecologia.

Atualmente, em lugar de flexibilizar e estimular, o governo federal inventou um amontoado de formalismo para meter o bedelho nos empreendimentos que já são autorizados e previamente liberados pela Constituição do Brasil. São 50 anos de tentativas e reconhecidos acertos da Zona Franca de Manaus para empreender com racionalidade e equilíbrio numa região onde habitam aproximadamente 20% dos seres vivos da Terra, com a mais exuberante e misteriosa biodiversidade da Gaia. Esse portfólio já é a credencial de respeito para permitir liberdade de produção e geração de riqueza.

Com apenas 0,6 % dos estabelecimentos industriais do Brasil, apesar de ter o 4º nível de escolarização entre os estados, Manaus demonstrou a robustez desta equação de empreender em parâmetros de sustentabilidade. E aqui deve permanecer os recursos de P&D&I , pesquisa, desenvolvimento e inovação – mais de R$2,5 bilhões em 6 anos. Isso permitiria radicalizar os acertos dessa equação da prosperidade inteligente e sustentável. Misteriosa e desafiadora, a floresta tem pouco mais de 5% desse acervo de biodiversidade presente em laboratório, quase todo apenas para a taxonomia preliminar. Ou seja, falta batizar 95% dos seres que aqui borbulham a vida. Produzir drones da biodiversidade com sensibilidade do dispositivo LOC na Zona Franca de Manaus é uma obviedade intocável.

No Portal da Embrapa Instrumentação de São Carlos, a Meca da inovação tecnológica do país, tem ao menos 20 protótipos para o polo Industrial de Manaus. Os drones já são produtos miniaturizados para tarefas gigantes do agronegócio. Este segmento, empenhado em manter sua performance aplaudida na balança comercial, também investe na equação ambiental porque os consumidores globais passam a exigir para fidelizar as relações. Esse acervo dos pesquisadores visionários já se insere na concepção de produtos que miram na gestão dos insumos e dos resíduos. A produção de embalagens comestíveis de alimentos é a ponta do iceberg da nova perspectiva da Indústria tropical do Brasil Amazônico.

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