Gestão da Amazônia na primeira do plural

Em clima de Brasil entregue à Deus-dará, ou salve-se quem puder, cumpre oxigenar a discussão do caos e retomar os fundamentos históricos e conceituais da realização do ‘1º Congresso de Gestão da Amazônia’, – a melhor notícia que poderíamos acalentar – que vai reunir no final de julho renomados pesquisadores e demais atores dedicados à inovação, à sustentabilidade e à governança tendo por foco o bioma Amazônico. Afinal, chega de pesquisar isoladamente, empreender na categoria solo e governar como se o gestor de plantão fosse alguém iluminado e pudesse decifrar, por conta e risco, os mistérios e desafios de gerar riqueza na floresta. Não tem sido assim nos 520 anos da presença branca na região.

Inspirado nos pioneiros e empreendedores da Amazônia, que uniram talento, criatividade e obstinação para mapear movas modulações econômicas depois do desalento regional com a quebra da economia da borracha, o Congresso de Gestão da Amazônia tem em seu Comitê de Honra as entidades da indústria local, representadas por Wilson Périco, do Cieam; e Antônio Silva, da Fieam, Centro e Federação da Indústria do Estado do Amazonas, e as empresas Honda e Samsung, o empresário Jaime Benchimol, remanescente direto do pioneirismo de Samuel Benchimol, além de Cleinaldo Costa, reitor da UEA, Moacir Miranda, da FeaUsp, referências da economia e academia para resguardar novos paradigmas de gestão.

Será uma oportunidade para integrar pesquisadores e dirigentes de empresas públicas, privadas, além de associações da sociedade civil e organizações não governamentais, comprometidos com a formação de quadros locais e regionais na governança dos desafios da Amazônia.

Eis um debate da hora, com referências locais de peso como Denis Minev, Niro Higuchi, Adalberto Val, Augusto Rocha, todos com a mão na massa das oportunidade e do debate dos principais desafios enfrentados para quem quer empreender com inteligência e sustentabilidade na região amazônica, oferecendo alternativas de solução, de políticas e de prioridades para a ação.

O contexto desse congresso é a Amazônia ignota até para muitos de nós que aqui vivemos. Porém, temos certeza que não podemos abri mão de compartilhar tantos desafios com quem a isso se dedica por ofício e devoção, como Roberto Sbragia, Graziella Maria Comini, Paulo César Diniz, André Zogahib, Rosa Maria Fischer, Maria Paula Mourão, entre outros colegas da USP, UEA, um time focado nas diversas áreas da governança de pesquisa, desenvolvimento e inovação na Amazônia. As instituições locais como Embrapa, Ufam, Inpa, Senai, Senac, instituições privadas de ensino e pesquisa estarão agregando suas expertises nesse mutirão de parcerias que se iniciam, dando expansão e densidade aos desdobramentos previstos.

Há 5 anos, o Brasil pioneiro e empreendedor deu passagem para o pioneirismo amazônico, que estará presente este ano na Mostra dos Grandes Pioneiros que ocorrerá no Museu da Imigração de São Paulo, sob a batuta de Jacques Marcovitch e sua equipe competente da FeaUsp e Expomus.

Se o Brasil do século XXI perdeu o rumo e o pudor, debruçar-se sobre a memória empreendedora amazônica, para entender os primórdios da gestão da floresta, na companhia de ilustres guerreiros de nossa história, temos razão para não perder a esperança de que o país poderá ser melhor, mais próximo, mais transparente e solidário, ao conjugar de mãos dadas, de Norte a Sul, o verbo acreditar na primeira do plural. E aqui todos acreditamos.

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