‘Estou disposto a pagar o dobro para não me aliar à velha política’, diz Wilson Lima

Wilson Lima (PSC) afirmou que não tem necessidade de “vender a alma” para os velhos políticos (Foto: Felipe Campinas)

Por Felipe Campinas, da Redação

MANAUS – Em entrevista ao ATUAL na tarde desta terça-feira, 7, o pré-candidato do PSC a governador do Amazonas, jornalista Wilson Lima (PSC), afirmou que está disposto a pagar o dobro para não se aliar à velha política e não tem a necessidade de “vender a alma” para construir uma carreira política. O pré-candidato também falou de propostas para as áreas da segurança pública, esporte, cultura e emprego e renda.

Segundo Wilson Lima, o PSC dá a ele as condições necessárias para ser candidato a governador do Amazonas, e ele não vê necessidade de se unir aos “caciques”. “Eu estou disposto a pagar o dobro para não me aliar à velha política e eu vou fazer isso. Sou um caboclo do interior e tudo o que eu conquistei foi com muito trabalho, muito sacrifício. Não acredito em nada fácil. Eu sei que não vai ser fácil, mas eu estou disposto a pagar esse preço”, disse.

Para Wilson Lima, “menos significa mais”. É assim que o pré-candidato vai enfrentar a falta de recurso e tempo de TV para fazer campanha e alcançar o interior do Amazonas. “Quanto menos alianças você fizer e com menos pessoas que representam o passado, mais credibilidade você tem, mais confiança o povo tem em você. Televisão e dinheiro vão ser importantes, mas não vão ser decisivos”, afirmou.

O PSC formou uma coligação com dois partidos (PRTB e Rede) que têm pouco tempo de propaganda no rádio e na televisão e escassos recursos financeiros do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário.

Lima afirmou que os eleitores amazonenses buscam “o novo”, mas deixou claro que essa busca nada tem a ver com os candidatos que se apresentam na eleição de 2018 como “a mudança”. “Tem muito político tradicional no delírio, acreditando que vai fazer política como fazia há 30 anos”, disse o pré-candidato.

Questionado sobre a utilização de um discurso desgastado, Wilson Lima afirmou que a desconfiança é natural porque “há 30 anos é isso que a gente tem visto”. “Eu não tenho a necessidade de vender a minha alma, estou assumindo o meu compromisso. E olha que hoje está tudo gravado. Hoje, rapidinho você relembra a memória de alguém”, disse.

Concurso público

Para Wilson Lima, os problemas na segurança pública no Amazonas só podem ser resolvidos com projeto a médio prazo. O pré-candidato propõe a renovação de equipamentos da Polícia Militar, reciclagem de policiais e promoção de concurso público uma vez por ano.

“O efetivo da Polícia Militar está defasado. Hoje a gente tem em torno de 9 mil policiais, enquanto nosso efetivo deveria ser de 15 mil. A gente precisa valorizar esse pessoal. A gente precisa fazer concurso público. Todos os anos, em média, 300 a 400 policiais saem da corporação e esse pessoal não é reposto. Quando eu for governador, farei um concurso público por ano para chamar mil policiais militares e reforçar o efetivo”, afirmou Lima.

Sobre o tráfico de drogas nas fronteiras brasileiras, o pré-candidato a governador afirmou que o combate só terá efeitos positivos quando as ações forem feitas em parceria com o Governo Federal. “Eu tenho que trabalhar em parceria com o Governo Federal para dar estrutura para o Exército, para dar estrutura para a Polícia Federal. Preciso dobrar o efetivo da Polícia Civil, que hoje é muito pequeno”, afirmou.

Emprego e renda

Wilson Lima afirma que vai fortalecer a Zona Franca de Manaus estendendo os incentivos fiscais aos municípios da região metropolitana da capital. “É necessário fortalecer o interior de infraestrutura, de eletrificação, de internet, e desenvolver outras potencialidades. A gente precisa iniciar pesquisas sobre nossa biodiversidade, para que a gente chegue a produtos acabados, e que esses produtos sejam produzidos em larga escala”, afirmou.

Segundo Wilson Lima, o Estado pode fazer parcerias com as prefeituras do interior, montar cooperativas e atrair empresas. “O PSC defende participação mínima do Estado na vida do cidadão, mas o Estado tem o papel de indutor. Novo Remanso é o maior produtor de abacaxi do país. Por que não atrair uma empresa para Novo Remando para fazer doce, suco em caixa?”, questionou.

O pré-candidato propõe garantia jurídica aos investidores, melhor infraestrutura nas cidades, e ramais pavimentados para que outras empresas se instalem na capital e nos municípios da região metropolitana de Manaus.

Esporte e Cultura

O pré-candidato criticou a falta de apoio do poder público na realização de atividades extracurriculares. Segundo ele, é necessário criar espaços para que as crianças e jovens façam atividades culturais e esportivas.

“Hoje, se você for em qualquer lugar de Manaus, tem uma zumba em uma praça, em uma rua. As pessoas estão dispostas a melhorar a qualidade de vida, a fazer essa integração. O problema é que essas pessoas não têm apoio. As pessoas estão na rua porque não há espaço de lazer. Não dá para transformar todas as escolas em escolas de tempo integral, mas dá para usar esses espaços ociosos para colocar essa juventude”, disse Lima.

“Estou disposto a pagar o preço”

Lima também falou sobre cargos comissionados. Segundo ele, é preciso que se entenda que “o governo não é cabide de emprego”. “É por isso que não fiz aliança com o pessoal da velha política. Eu não tenho esse compromisso e não vou ter”, disse.

Ele criticou o número de cargos comissionados na Casa Civil. “Na Casa Civil, hoje tem 500 funcionários. Gente que recebe 10, 15, 30 mil reais. Se todo mundo resolvesse ir trabalhar no mesmo dia, onde iria colocar esse pessoal todo?”, questionou.

Questionado sobre a pressão que supostamente enfrentaria de autoridades públicas para empregar familiares, Lima respondeu que está disposto a “pagar o preço”. “Não tenho compromisso com nenhum deles. Não tenho rabo preso. E assim que vai ser a minha gestão. Em todos os sentidos”, disse.

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