Enquanto isso, na ressaca do Ano Novo…

Feliz Ano Novo a todos. Depois de 3 semanas de férias volto ao AMAZONAS ATUAL com baterias recarregadas. Mas, falando em 2017, enquanto se curtia a ressaca do adeus a 2016, o ano que demorou a terminar, presidiários rebelados no Compaj (Complexo Penitenciária Anísio Jobim) resolveram promover uma “limpeza étnica”, que colocou o Amazonas na segunda colocação no ranking de rebeliões mais letais do sistema prisional brasileiro, perdendo, apenas, do massacre no Carandiru, ocorrido em São Paulo em 1992, onde 111 detentos morreram até que a Polícia viesse a controlar a situação.

A FDN (Família do Norte) decidiu mostrar para o PCC (Primeiro Comando da Capital) quem manda no Compaj. Começou na tarde de domingo, e, somente após 17 horas, na manhã de segunda-feira, a situação foi controlada pela polícia. O saldo da carnificina foi de 56 mortos, maioria ligados ao PCC, eliminados com requintes de crueldade, devidamente registrado por celulares que, não se sabe como, estavam nas mãos dos internos. O secretário de Segurança Pública, Delegado Federal Sérgio Fontes, classificou (com muita propriedade) o resultado do racha entre o PCC, de São Paulo, e a FDN, do Amazonas, como “mais um capítulo da guerra silenciosa que o narcotráfico mergulhou o país”. As imagens com pilhas de corpos esquartejados e carbonizados empilhados rapidamente foram veiculadas nas redes sociais. Chocaram até os mais experientes no assunto ao mandar um claro recado aos rivais em uma das imagens, onde se via uma cabeça decapitada ao lado de um coração. Triste horror.

Como se não bastasse esta cena dantesca, antes da rebelião houve uma fuga em massa no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), que teria sido uma “cortina de fumaça” para a rebelião. A secretaria estadual de Segurança Pública (SSP), recapturou 58 dos 184 fugitivos até a manhã dessa quarta-feira (03/01). No encalço dos 126 meliantes restantes barreiras foram montadas em Manaus, nas rodovias estaduais e na BR-174, que liga a capital amazonense a Boa Vista (RR). Um dos presos, aliás um tremendo cara de pau, chegou a postar no Facebook (que mantinha atualizado da prisão) fotos documentando a fuga com mais de 50 mil curtidas (certamente nem ele esperava tanta popularidade, quando tinha que ser discreto).

Segundo a Umanizzare, que acabou de ter revogado seu contrato de gestão do Compaj, maior presídio do Amazonas, a unidade prisional possui 1072 detentos. O caso chegou a “dividir torcidas”, de um lado os que acham que “bandido bom e bandido morto” e de outro os que acreditam na ressocialização dos condenados e por aí foi. O governo se propôs a indenizar as famílias das vítimas, provocando a ira da sociedade que desaprova o uso do dinheiro público para esta finalidade. Enfim, de tudo se ouviu, até mesmo os que perdem o amigo, mas nunca a piada, sugerirem nas redes sociais que o PCC processe a FDN por “danos materiais” alegando perda total de ativos.

Na verdade, a situação gerou, como me disse um colega professor hoje pela manhã na UFAM, uma baita sensação de insegurança. Entre boatos e verdades, muito se ouve falar de indivíduos cobertos de barro espreitando, estuprando, roubando, matando e, principalmente, assuntando a população. Pior, com repercussão nacional e internacional, até o Papa Francisco falou sobre suas preocupações sobre o massacre de Manaus.

Já chega! É hora de a polícia mostrar quem manda mais e restabelecer a ordem pública!

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