Elite sem voto recebe Dória em Manaus

A visita de João Dória a Manaus não conseguiu despertar o menor interesse dos políticos, nem sequer de membros de seu próprio partido, o PSDB, por quem não procurou ou foi procurado. Foi recebido por uma elite sem voto e por alguns empresários sem empresas. Como exceção, manteve encontro com o governador Amazonino Mendes, ainda assim, meramente protocolar e sem nenhuma consequência.

O enfatuado e ilusionista Dória, com seu sorriso permanente e forçado, já não convence mais ninguém. Não consegue administrar São Paulo, vencida a fase do espetáculo mambembe que proporcionou aos habitantes da maior capital do país, como prefeito fantasiado de gari. Cria do governador Geraldo Alckmin, logo nos primeiros dias de mandato, arvorou-se de candidato a presidente,  como se pudesse num passe de mágica conquistar o poder maior da Nação. Com excitação típica de iniciante e amador, ameaçava trair seu criador e padrinho político, que o havia retirado do anonimato, de onde jamais deveria ter saído.

Irresponsável, abandonou seus compromissos em São Paulo e saiu em campanha pelo Brasil afora. Foi a algumas capitais do Nordeste e esteve no Rio de Janeiro, sempre em reuniões forjadas e sem resultados concretos para o projeto de seus sonhos irrealizáveis. Antes de terminar no Irajá, chegou a Manaus e cumpriu um roteiro sem qualquer importância.

Bem, como previsível, teve voo curto. Desabou nas pesquisas e hoje sabe-se que não terá sucesso, nem ao menos como administrador da cidade que o elegeu prefeito. Foi com muita sede e quebrou o pote, a partir do comportamento dispensado ao governador paulista, responsável por sua inserção no universo pantanoso da política.

Dória lembra Collor, embora sem o talento do “caçador de marajás”, que lá atrás, em época bastante distinta, conseguiu empolgar o eleitorado brasileiro. Cuidou-se de uma experiência das mais amargas, que certamente não se repetirá, mesmo envolta em papel celofane e glamorizado, como pretende agora fazê-lo o engomadinho prefeito paulista.

Nas circunstâncias atuais, ao lado de Jair Bolsonaro, seria o candidato ideal para o lulopetismo, com ou sem Lula no páreo. Um e outro, Bolsonaro e Dória, jamais ultrapassarão os equívocos de avaliação típica da classe média, inafeitos ao contato com as grandes massas populares. O militar, além de já ter confessado que não “manja” nada de economia, num país de sistema econômico complexo como o nosso, morrerá na praia da disputa, em companhia do almofadinha, incapaz de mensurar as agruras de quem padece em níveis dramáticos de subsistência nas periferias das grandes metrópoles e no interior do Brasil.

Em boa hora, antes que fosse tarde, Dória mostrou-se inteiro. Não passará. Ainda bem que o Brasil tem opções, sob a égide do regime democrático. Há nomes capazes de soterrar o desastre Michel Temer, sepultando, no mesmo passo e definitivamente, a herança trágica deixada pelo lulopetismo, com Lula e Dilma, responsáveis pela quebra do país e por anos e anos de crise e retrocesso econômico. Sem oscilações extremas, de fundo ideológico, com escolhas à esquerda ou à direita, mas fundadas em compromissos com o desenvolvimento nacional, estruturado em reformas modernizantes e inadiáveis. Por exemplo, não há como adiar alternativas que reduzam o tamanho mastodôntico do Estado e de suas instituições, que alcancem os três poderes da República, com alterações profundas em suas configurações envelhecidas e disfuncionais.

paulofigueiredo@uol.com.br

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