E a política? Quando virá à luz?

Para que se possa ter algum sinal de esperança numa melhor perspectiva para o país, é imprescindível rever ou substituir o modelo político e eleitoral vigente.

Reduzido à mera representação de fachada, no atual modelo eleitoral e partidário, prevalece tão somente o interesse de um segmento sobre a sociedade – o dos viciados no jogo pelo poder a qualquer custo, muito frequentemente cleptocratas.

É preciso acabar com essa perversa e selvagem condição pré-política e buscar um modelo que rume numa direção democrática. O Estado esvaziado de política está arruinando a base do pacto social no Brasil, disseminando a insegurança pública e produzindo instabilidades e crises permanentes de toda ordem. É necessário refundar a política, os poderes e as estruturas das instituições.

É fundamental reestruturar a representação política no país e extirpar históricas vicissitudes do certame eleitoral. Para isso, importa acabar com reeleição pra cargos do executivo e do legislativo, permitindo que ocorra apenas um mandato por cargo e nível de representação.

É necessário resgatar a política como representação da participação cidadã e a alternância é essencial para isso, bem como o fim da linhagem parental política e instituir a obrigatoriedade do afastamento, ao menos um ano antes, dos que trabalham em meios de comunicação como rádio e TV, pois tal como opera atualmente, a exposição nos veículos de mídia de certas indivíduos torna muito desproporcional o acesso aos eleitores.

É imprescindível erradicar o financiamento público e privado de eleições, bem como o bilionário fundo para manter máfias partidárias. Partidos são para somar com o país e contribuir com a vida política da nação, nunca para ser um peso orçamentário a mais e um vergonhoso reduto de saqueadores. Eleição é para discutir projetos, valores e ideias. Quando entra o dinheiro em cena isso tudo acaba. O especializado judiciário eleitoral poderia organizar a distribuição de material, de mídias e horários de propaganda entre os partidos e candidaturas sem permitir aplicações de dinheiro nas campanhas eleitorais. Com isso a sociedade não ficaria à mercê de abusos de delinquentes eleitorais empoderados economicamente e contribuiria para evitar a prostituição das consciências, introduzindo o sentido de cidadania e de democracia nas eleições.

É preciso resolver de verdade e não ficar fazendo meras manobras ou encenações que não mudam nada, como essa proposta de lista partidária e de fundo partidário superfaturado. Essas medidas visam apenas manter o criminoso carrossel de eleições de fachada, uma após outra, num ciclo vicioso e antidemocrático que só potencializa o niilismo político. No Amazonas, teremos uma caríssima eleição suplementar logo mais, num tempo de grave crise, que já nasce com vistas à disputa eleitoral do ano que vem: uma ciranda ridícula, cara, ilusória, sem futuro, apenas pra alimentar a velha e viciada lógica do jogo pelo poder. Algo vergonhoso, retrógrado e entorpecedor. Mas o país acostumou-se a viver dessas mitologias fúteis e perigosas que inflam os consultórios, os bolsões de miséria e os presídios.

O Brasil é um terrível caso em que as eleições nada têm a ver com democracia nem partido com cidadania. É preciso romper com o monopólio da representação dos partidos e com o viciado jogo eleitoral. As eleições e os partidos podem ser relevantes instrumentos para a experiência democracia, mas do jeito que funcionam no Brasil lançaram a sociedade brasileira no obscurantismo, na corrupção e na falta de alguma perspectiva promissora.

Esse apodrecido modelo ou jogo político, marcado pela viciada representação partidária e eleitoral, tem tornado o país pior e a sociedade mais violenta, contaminando o funcionalismo, as repartições e os poderes públicos, nos quais deveria prevalecer algum traço republicano. Quando virá à luz a política?

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