Dirceu de volta às origens

José Dirceu está de volta às origens. Acaba de convocar o lulopetismo ao protesto, à revolta, ao uso de todas as formas de resistência, diante da previsível manutenção da sentença condenatória de Lula pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre. Já há data para o julgamento, designada para o dia 24 de janeiro de 2018, em ato que assanhou a companheirada, sob a regência do antigo guerrilheiro, adestrado em Cuba durante os anos de chumbo.

Embora um tanto quanto fiel às raízes, Dirceu consegue dançar conforme a música. Lá atrás, com o propósito de conquistar o poder, sob a expectativa natural de que sucederia Lula na Presidência da República, foi o mentor intelectual da chamada “Carta aos Brasileiros”, com a qual os petistas apascentaram a Fiesp e as elites empresariais do país. Atropelado pelo então deputado federal Roberto Jefferson e condenado pelo Mensalão, Dirceu teve que ceder lugar a Dilma Rousseff, a tragédia, pupila do ex-metalúrgico, a pior administração federal da história da República.

Superados o escândalo e a condenação do Mensalão, Dirceu preparava-se para retornar ao proscênio, quando é apanhado pela Lava-Jato e pela caneta do juiz Sérgio Moro. Considerados os anos de cumprimento da nova pena, ratificada ou ampliada pelos tribunais superiores, em anos somados à sua idade, tudo indica que mofará no cárcere, sem perspectivas de salvação. É evidente que esses fatos passeiam com muita nitidez pela cabeça do homem que costurou a chegada do PT ao poder. Lembro que o encontrava em reuniões no Palácio do Planalto, quando exer ci a função de membro titular do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, ocasião que me permitiu dele guardar a imagem da petulância e da arrogância, ciente de que poderia chegar ao cume do poder no país, após o término do mandato de Lula da Silva.

Agora, diante do inexorável, resta-lhe o quê? A aceitação pacífica e a resignação frente ao castigo pelos crimes cometidos ou o confronto final? Certo de que tudo será possível com a eleição de Lula, inclusive a hipótese de um perdão judicial, a ser concedido em seu benefício pelas vias legais, não custa nada arriscar na disputa eleitoral ou até investir numa esperada conflagração social contra a condenação do ex-metalúrgico. Estas, somente estas, as apostas atuais de quem, na clandestinidade, ao longo de mais de uma década, enganou a própria sombra, ocultada inclusive no convívio e na intimidade de estreitos laços familiares.

Independente da prática delituosa, consistente no aconselhamento à sublevação contra decisão judicial a ser proclamada por órgão competente do Poder Judiciário, tem-se na ação de Dirceu a violação aos mais elementares princípios do Estado de Direito. Ao invés dos recursos indicados e previstos no ordenamento jurídico-processual, esgotadas as instâncias da Justiça, constata-se a indicação da revolta, da insubmissão e do apelo extremo a métodos e meios não pacíficos.

Felizmente para a democracia, Dirceu e o lulopetismo perderam por completo a audiência. Foi-se o tempo. Não há o menor clima que autorize a subversão criminosa da ordem pública e constitucional. Hoje, com exceção dos estamentos mais radicalizados, o que dizem e sugerem não encontra o menor eco na sociedade. Ao contrário, tem-se presente o mal que causaram à Nação e ao povo brasileiro.

paulofigueiredo@uol.com.br

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