David não quer ser um pária nas eleições suplementares

O prefeito Arthur Virgílio Neto entregou uma lista de propostas de ações conjuntas ao governador David Almeida (Foto: Divulgação)

Estender as mãos ao prefeito de Manaus Artur Neto (PSDB) e mexer nas secretarias de maior orçamento e nas pastas que, embora menores, o governador cassado José Melo (Pros) enxertou investimentos milionários foram os maiores gestos administrativos e políticos anunciados pelo governador interino David Almeida (PSD) nos primeiros três dias do mandato tampão.

De quebra, o comandante da poderosa máquina pública que sempre representa peso decisivo em eleições ao Governo do Estado, anunciou reunião para a próxima semana com todos os prefeitos dos municípios do interior – desafio principal em campanhas de eleições gerais. O que, aliás, neste pleito suplementar deve ser potencializado pelo curto prazo de campanha.

David sinaliza com clareza que não quer ser apenas um tampão na vacância do Governo e que quer  exercitar com intensidade as liturgias administrativas e políticas do cargo.

Sobretudo pelo silêncio dos caciques, o governador interino atrai para si visibilidade nas articulações para as Eleições Suplementares e coloca-se no tabuleiro das negociações, que adiantaram e podem mostrar as confabulações que já estavam em curso para as Eleições 2018.

David Almeida não parece querer ocupar nas negociações das alianças peça decorativa e sem influência  na definição da chapa que vai representar o grupo e suas possíveis convergências. David disse, no TCE, que não quer só ser ouvido sobre uma candidatura do grupo, ele quer participar. E na posse dos secretários mandou recados quando repetidas vezes disse: “Não sou teleguiado ou drone”.

Do mal de não usufruir de todos os benefícios de um cargo de governador, se queixou José Melo após  as Eleições 2016 quando o grupo foi derrotado. Após o resultado, Melo declarou que não foi ouvido nem nas articulações da aliança e nem na campanha. 

Neste momento, David não age exclusivamente da sua cabeça em função do pouco tempo e do próprio discurso adotado nos primeiros dias. O governador interino representa um grupo que, antes mesmo da cassação, dava sinais de fissuras com o poder executivo representado por José Melo. As demonstrações mais claras vinham da própria ALE, poder que David comanda há três meses.

Embora tenha feito pequenos afagos em Melo na posse, interlocutores do governador cassado afirmam que ele não está satisfeito com a rapidez com que foi deixado de lado pelo grupo.

Sob pressão e pego de surpresa, David mexeu de uma só vez nomeando pessoas de sua própria escolha e confiança ao Governo, o que o governador cassado não conseguiu fazer em nenhuma das várias reformas. Melo perdeu tempo. Pelo visto, David quer ganhar.

 

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