Corte no investimento em energia elétrica inviabiliza Zona Franca no interior do Amazonas

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Dinheiro é exclusivo para serviços já contratados como manutenção de redes (Foto: Leonardo Cipriani/Freeimages)

Por Cleber Oliveira, da Redação

MANAUS – Desejo de empresários e investidores, a expansão da Zona Franca de Manaus para o interior do Amazonas vai demorar. Isso porque um segmento da infraestrutura fundamental para o funcionamento de indústrias sofreu corte de 29% no orçamento para 2017. O dinheiro reservado para serviços de energia elétrica no Estado serão pífios.

A rubrica ‘Manutenção do Sistema de Geração de Energia Elétrica no Interior’ terá apenas R$ 7 milhões. Para outro serviço – Ampliação da Capacidade do Parque de Geração Térmica de Energia Elétrica no Interior – o dinheiro disponibilizado é de R$ 4,5 milhões. O maior volume de recursos está reservado para a ‘Ampliação da Rede Rural de Distribuição de Energia Elétrica’ (Programa Luz para Todos): R$ 473,846 milhões. Este serviço é exclusivo para consumidores residenciais.

Não haverá novos investimentos. Os recursos serão majoritariamente aplicados na conclusão de empreendimentos de geração e transmissão já contratados, informou a Eletrobras. Conforme a empresa, novos negócios ficarão por conta de investidores privados, somente a partir de 2018. Unidades da estatal serão vendidas a partir do próximo ano. Uma delas é a Amazonas Energia.

A concessionária pública terá dinheiro suficiente apenas para terminar o que já começou. É o caso da ‘Ampliação do Sistema de Distribuição de Energia Elétrica no Amazonas’ para o qual foi reservado R$ 258,163 milhões no orçamento do próximo ano. Já a ‘Adequação do Sistema de Comercialização e Distribuição de Energia Elétrica – Redução de Perdas Comerciais’ terá disponível R$ 139,473 milhões.

O dinheiro para manutenção obrigatória do sistema será escasso. Na rubrica ‘Manutenção do Sistema de Distribuição de Energia Elétrica’, para todo o Estado, estão reservados R$ 139,3 milhões. Na ‘Manutenção do Sistema de Geração de Energia Elétrica’, a verba disponível é de R$ 12,417 milhões. Já para ‘Manutenção do Sistema de Transmissão de Energia Elétrica’, a Amazonas Energia terá apenas R$ 2,654 milhões.

Exclusivamente em Manaus, o dinheiro previsto no orçamento é para ‘Implantação da Usina Termelétrica Mauá 3, em ciclo combinado, com Capacidade de Geração de até 650 MW, no valor de R$ 104,420 milhões. Outro projeto é o de ‘Reforços e Melhorias no Sistema de Transmissão de Energia Elétrica em Manaus’: R$ 39,293 milhões.

Conforme a Eletrobras, a prioridade será reduzir o endividamento da companhia com medidas que proporcionem aumento da eficiência operacional e corporativa e a desmobilização de ativos operacionais e não- operacionais. Além das privatizações, a estatal planeja criar um Plano de Aposentadoria Incentivada (PAI) para 4.937 funcionários em todo o país. A companhia espera reduzir o número de gerências em 52% na holding e 26% nas empresas controladas, cortar cargos comissionados e funções gratificadas de assistentes e assessores. Com o PAI, a empresa espera economizar R$ 67,8 milhões no próximo ano.

O AMAZONAS ATUAL entrou em contato com a Amazonas Energia para obter informações sobre as seguintes questões: a rubrica ‘Manutenção do Sistema de Geração de Energia Elétrica no Interior’ tem apenas R$ 7 milhões disponíveis no orçamento. Esso dinheiro é suficiente para esse serviço? Outra rubrica – Ampliação da Capacidade do Parque de Geração Térmica de Energia Elétrica no Interior – tem apenas R$ 4,5 milhões. É possível ampliar essa capacidade com esse recurso? De quanto foi o corte no dinheiro repassado à Amazonas Energia no orçamento do próximo ano?  Qual será a prioridade da empresa em 2017?

Em nota, a empresa deu a seguinte resposta: “A Eletrobras Distribuição Amazonas informa que o orçamento para o ano de 2017 ainda não está concluído, e que somente a versão aprovada poderá ser comentada. Assim, nos dispomos a responder os questionamentos em momento oportuno”.

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