Coronel diz que acessou sistema de informação da PM a pedido de Mouhamad

O coronel chegou a ser subcomandante-geral da Polícia Militar na gestão de José Melo (Foto: Divulgação/PM)

Da Redação

MANAUS – O coronel da Polícia Militar Aroldo da Silva Ribeiro afirmou em depoimento na Polícia Federal que acessava o sistema de informações da PM a pedido do empresário Mouhamad Moustafa, denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) na Operação Maus Caminhos como líder de organização criminosa que desviou mais de R$ 110 milhões da saúde no Amazonas.

No depoimento prestado no dia 13 de dezembro de 2017, quando foi deflagrada a Operação Custo Político, o coronel afirmou ainda que recebia R$ 10 mil por mês pela “assessoria de segurança” que prestava a Mouhamad “nas horas de folga”. Segundo o documento da PF, Aroldo afirmou que as pesquisas eram feitas pelo Centro de Operações da PM e as informações repassadas para Mouhamad ou para o motorista do empresário.

Segundo o interrogatório, Aroldo sustentou que as consultas solicitadas por Mouhamad eram feitas para verificar placas de veículos “e eventuais pendências, por medo”. O coronel foi um do presos temporários da Custo Político, e libertado no final de dezembro. O inquérito contra ele ainda não foi concluído pela Polícia Federal.

Para o MPF (Ministério Público Federal), o militar liderava a equipe de segurança do empresário, inclusive arregimentando policiais em outros estados para atuarem na segurança de Mouhamad fora do Amazonas. Aroldo informou que “assessorou” o empresário por um ano. Segundo os investigadores e depoimentos de outros investigados, os policiais atuavam como braço armado da organização, inclusive em episódios para intimidar desafetos do grupo.

Aroldo negou no interrogatório ter participado ou ordenado qualquer ação de violência ou constrangimento contra alguém por ordem de Mouhamad.

O coronel afirmou que, no período que “assessorava” o empresário, recebia salário de R$ 10 mil da Polícia Militar, mas não tinha nenhuma função operacional ou administrativa na pasta. Na falta do que fazer, muitas vezes, ele acabava voltando para casa. “Ou seja, embora lotado no comando-geral, não tinha atribuições rotineiras”, completa a Polícia Federal no documento.

De acordo com Aroldo, 12 policiais participavam da equipe de segurança do empresário. Cada um recebia por semana, em média, R$ 700. O coronel também afirmou que disponibilizava viaturas, a pedido de Mouhamad, para fazer escolta particular de artistas que vinham fazer shows em Manaus.

A reportagem ligou para o advogado de Aroldo, Diego Padilha, mas as chamadas foram encaminhadas para a caixa postal. Abaixo, a íntegra do interrogatório do coronel da Polícia Militar.

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