Como deputado, Tiririca não fará falta senão para o partido, o PR

MANAUS – Tiririca foi sincero no discurso de despedida que fez na Câmara dos Deputados na quarta-feira, 6, ao dizer: “Não fiz nada, mas o pouco que eu fiz, eu fiz muito”. Além de participar de todas as sessões da Câmara dos Deputados, nunca ter faltado a uma votação, ser um dos sete deputados assíduos, e apresentar algumas emendas ao orçamento, o palhaço que se tornou deputado desde 2011 não fez muita coisa.

Assim é a grande maioria dos deputados federais. O plenário lotado em dias de votação importantes não significa que os parlamentares estão trabalhando em benefício do povo. E Tiririca, no seu primeiro e último discurso, diz que sai decepcionado com a política e os políticos. Pede aos colegas que olhem principalmente pelos mais pobres, que não têm acesso a atendimento decente nas unidades de saúde públicas.

Tiririca bem que poderia contribuir para mudar esse quadro, mas como a maioria, ficou calado por quase sete anos. “Eu subo nessa tribuna pela primeira vez e pela última vez, não por morte, porque estou abandonando a vida pública”. Quantos discursos poderia ter feito para tentar sensibilizar os colegas, as autoridades, os demais poderes da República?

Mas é assim: 95% dos deputados federais não vão à tribuna. Entram mudo e saem calados. Têm uma vida marginal na Câmara dos Deputados. Se deixam usar pelos partidos e pelos líderes, aquela gente que tem mais acesso à tribuna, que aparece mais nos meios de comunicação, que discursam, que apresentam propostas, que defendem teses.

Por isso, é importante rever o tamanho do Congresso Nacional. É realmente necessário o Brasil ter 513 deputados federais quando menos de um terço se destaca, enquanto a maioria atua nos bastidores fazendo conchavos, vendendo votos, gastando dinheiro público com despesas injustificáveis do ponto de vista ético; enchendo os gabinetes de servidores sem qualquer utilidade ou necessidade?

Tiririca fez tudo isso, e não deveria, agora, achar que sai da vida pública sem mácula. Ele é partícipe de uma política que enoja, que decepciona, como ele próprio diz que se decepcionou. O problema é que ele nada fez para mudar essa realidade. Deveria ter falado mais, denunciado mais, clamado mais por justiça aos pobres deste país. Aliás, ele encerra o discurso com uma postura bem peculiar do mandato: de braços cruzados.

Tiririca não fará falta. Talvez faça falta apenas para o partido que o elegeu duas vezes, o PR. Não é de gente como ele que o Brasil precisa.

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