Com pena perdoada, Adail Pinheiro prepara volta à Prefeitura de Coari como secretário de Obras

O comentário na cidade é de que Adail Filho vai nomear o pai para a Secretaria de Obras (Foto: Reprodução)

O comentário na cidade é de que Adail Filho vai nomear o pai, Adail Pinheiro, para a Secretaria de Obras (Foto: Reprodução)

Da Redação

MANAUS – O ex-prefeito de Coari (a 363,5 quilômetros de Manaus) Adail Pinheiro deve assumir a Secretaria Municipal de Obras de Coari, uma das mais importantes do município e que movimenta milhares de reais por ano. A informação de que o prefeito Adail Filho irá nomear o pai é amplamente comentada na cidade. Adail filho deve nomear o pai no dia 5 de fevereiro, com uma grande festa para marcar a volta de Adail Pinheiro à política, informou uma fonte ouvida pelo ATUAL.

Para a festa, serão convidadas lideranças de diversas comunidades rurais. A intenção é reunir um grande número de simpatizantes e admiradores para fazer uma espécie de desagravo (reparação de uma ofensa ou dano moral) a Adail Pinheiro pelo tempo em que ficou preso (de 8 de fevereiro de 2014 até o dia 24 deste mês, quando ganhou o perdão da pena de prisão). Os advogados do ex-prefeito sustentam a tese de que ele foi vítima de uma armação política para tirá-lo do poder.

Pena extinta

Na última terça-feira, 24, o juiz Luís Carlos Valois determinou a extinção da pena de Adail Pinheiro e a expedição do alvará de soltura dele baseado em um decreto do presidente Michel Temer (Decreto Presidencial n° 8.940/16, de 22 de dezembro de 2016), que concede o perdão da pena “nos crimes praticados sem grave ameaça ou violência à pessoa, quando a pena privativa de liberdade não for superior a 12 anos, desde que tenha sido cumprido um quarto da pena, se não reincidentes, ou um terço, se reincidentes”.

Adail Pinheiro foi condenado em outubro de 2014 a 11 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de favorecimento à prostituição, indução à satisfação de insulsos sexuais e por submeter crianças ou adolescente à prostituição ou a exploração sexual (pedofilia). Mesmo com a pena suspensa, os advogados ainda vão tentar nos tribunais superiores provar que ele não cometeu os crimes e que foi vítima de armação política.

O juiz Luís Carlos Valois escreveu na sentença que “a pena aplicada e o período de pena cumprido, somados à ausência de infração disciplinar indicam que realmente o apenado preenche os requisitos do decreto, na forma do que já foi esclarecido nos autos, nesta decisão e no parecer do Ministério Público”.

Operação Vorax

O castelo de Adail Pinheiro começou a desmoronar em 2008 com a deflagração da Operação Vorax, que desbaratou uma organização criminosa que atuava na Prefeitura de Coari. Na ocasião, o então prefeito não chegou a ser preso porque tinha foro privilegiado e não poderia ser investigado pela primeira instância da Justiça Federal do Amazonas. Mas o irmão e uma irmã dele que tinham cargos de secretário na prefeitura foram presos.

A quadrilha presa na Operação Vorax atuava, principalmente, na Secretaria de Obras, que está prestes a ser dada para Adail Pinheiro. Fraudes em licitação e valores superfaturados de obras, além de pagamento de propina foram os principais crimes identificados pela investigação.

Em julho de 2015, a Justiça Federal no Amazonas condenou 20 envolvidos no esquema de corrupção identificado pela Operação Vorax. Entre os condenados estão o irmão do ex-prefeito Adail Pinheiro, Carlos Eduardo do Amaral Pinheiro, e ex-secretário de Administração da cidade, Adriano Teixeira Salan. O irmão do prefeito está foragido desde e então. Ele foi condenado a cumprir 41 anos e quatro meses de prisão em regime fechado e a pagar, em valores atualizados, 1.088 dias-multa (cada dia multa equivalente a um quarto do salário mínimo à época dos crimes) e multa de R$ 323,7 mil.

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