Chacinas: em SP, investigações a todo vapor; em Manaus, nada se sabe

Chacina

Dos 36 assassinatos, até agora a polícia do Amazonas prendeu apenas duas pessoas suspeitas de um dos crimes (Foto: Reprodução)

Por Karina Palmeira, especial para o AMAZONAS ATUAL

MANAUS – Doze dias depois da chacina que matou 18 pessoas em Osasco e Barueri (SP) o secretario de segurança pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, pediu mandados de busca e apreensão contra 18 policiais militares suspeitos de envolvimento nas mortes. Em Manaus, passados 40 dias da chacina que matou 36 pessoas, a SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas) não tem nenhuma resposta. Questionada pelo AMAZONAS ATUAL, a assessoria do órgão informou que o caso ainda está sendo investigado.

Em Manaus as investigações estão sendo feitas pela Polícia Civil. Segundo o delegado titular da DEHS (Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros), Ivo Martins, os 36 homicídios ocorridos na cidade no período de 17 a 19 de julho de 2015 ainda estão sendo investigados. “Estamos trabalhando com várias linhas de investigação. Já temos duas pessoas presas e estas fazem parte de um caso isolado, porém, não envolvidas no latrocínio do sargento”, explicou.

Os presos do caso isolado foram Janderson dos Santos Soares, 18, e Antônio Maria da Silva, 27, presos em cumprimento a mandado de prisão preventiva. Ambos são apontados como autores do homicídio de Joeliton Pessoa da Silva, ocorrido no dia 18 de julho, no bairro Novo Israel, zona Norte da cidade.

De acordo com o delegado Ivo Martins, o inquérito ainda não foi concluído. “Temos um prazo de 90 dias para concluir o inquérito policial. Ao término desse período, se houver necessidade, podemos pedir uma prorrogação por mais 90 dias”, explicou o delegado.

Investigações de São Paulo

Em São Paulo, o secretario de segurança Alexandre Moraes disse que o pedido de mandado de prisão contra os policias fazem parte das investigações. “Prendemos vários documentos, celulares, provas que podem ser utilizados ou não, dependendo do cruzamento das investigações”, disse.

Apesar da medida aprovada pela Justiça Militar, o secretario nega que os policias sejam considerados suspeitos. “Acreditamos que num futuro breve, possamos indicar realmente pessoas suspeitas pelos crimes”, disse.

Morte dos policiais

Há a hipótese de que as duas chacinas tenham sido motivadas por vingança contra policiais assassinados. Na capital amazonense as mortes em série começaram após a latrocínio do sargento da Polícia Militar Afonso Camacho Dias, 44 anos. Ele foi morto no dia 17, quando saiu de uma agência bancária, na zona sul de Manaus. O crime foi investigado pela Derfd  (Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações). No último dia 7, seis pessoas suspeitas do crime foram presas.

De acordo com Adriano Felix, delegado titular da Derfd, os suspeitos arquitetaram o roubo que resultou na morte do sargento Camacho. Eles estiveram, segundo Felix, observando dias antes do crime os saques que a vítima costumava fazer na agência bancária. Na ocasião, a dupla de atiradores, que continua foragida, levou R$ 60 mil.

Em São Paulo, a principal hipótese da Secretaria de Segurança é que policiais e guardas-civis tenham praticado as mortes. A suspeita foi levantada porque no mês de agosto, o guarda-civil Jefferson Rodrigues da Silva, 40 anos, e o cabo da Policial Militar Avenilson Pereira de Oliveira, 42 anos, foram assassinados na região.

O cabo Oliveira foi morto a tiros por dois criminosos ao reagir a assalto a um posto de combustíveis. Ele era da Força-Tática do 42º Batalhão da PM (BPM), responsável pela segurança na região, mas estava sem farda. A dupla usou a própria arma do policial para matá-lo e fugiu.

O guarda Jefferson Silva foi baleado e assassinado em 12 de agosto por três assaltantes que tentaram roubá-lo. Ele também estava sem farda. Os criminosos fugiram. Na noite de 13 de agosto teve início a onda de execuções em Osasco e Barueri.

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