CBA, a nova chance – Parte I

Cabeça Coluna Alfredo Lopes

Responsável pelos Assuntos Estratégicos do INPA, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, nos últimos anos, o engenheiro Estevão Monteiro de Paula foi convidado para dirigir o emblemático e problemático Centro de Biotecnologia da Amazônia. A instituição virou mais uma esfinge desta relação abissal entre a União e o cotidiano local que, há 13 anos, aguarda elucidação. Talento e disposição não lhe faltam e, oxalá, fosse este o embaraço. O CBA, porém, remete a uma reavaliação entre os atores envolvidos, no âmbito da discussão do pacto federativo, onde quem paga não é quem decide. O Centro, ora sem modelo de gestão definido, foi constituído em Manaus a partir da clarividente necessidade de instalação de um polo de biondústria, o mais coerente e emergencial num bioma que detém 20% do banco genético do planeta, e o mais adequado para estimular estabelecimentos produtivos na região. A decisão de retomar essa anomalia institucional, portanto, precisa de um debate mais amplo – em nome do estatuto constitucional e do bom senso – que inclui a recuperação da autonomia da Suframa e a aplicação na Amazônia Ocidental dos recursos aqui gerados por suas taxas de serviços e para pesquisa e desenvolvimento como manda a Lei.

A indicação de Estevão, nesse contexto, é densa e oportuna, pois é antiga e adequada sua proposição de instalar no polo industrial de Manaus um Parque Biotecnológico de Produtos Sustentáveis, uma proposta visionária que os gestores da Amazônia ainda vão precisar de tempo para entender o alcance de suas premissas, sua estruturação holística e absoluta coerência com o patrimônio natural. Em 1999, quando dirigia o órgão ambiental, o IPAAM, Estevão desenhou e coordenou o Projeto Socioambiental Integrado de Desenvolvimento Sustentável, em parceria com o titular da prelazia do Alto Solimões, o bispo Dom Alcimar Magalhães, na mesorregião mais empobrecida do Estado. Aplaudido por  25 instituições locais e nacionais de fomento e extensão, a governança do projeto sucumbiu aos ditames políticos que equaciona o mundo em mandatos administrativos de quatro ou oito anos.

Em 2012, atores que trabalham nos ministério do Desenvolvimento, onde está alocada a Suframa, como da Ciência, Tecnologia e Inovação, onde se insere o INPA, buscaram, à luz dos objetivos institucionais, integrar, racionalizar, e adensar o conhecimento e desdobramentos práticos, na ótica do cidadão, suas demandas de novas matrizes econômicas para a  Amazônia, coerentes e urgentes. Como todas as grandes sacadas da História, a iniciativa partiu da obviedade da integração de objetivos,  recursos e talentos de dois organismos federais, depois de tantas décadas de inventários, planos e abandonos da expectativa social.

A presença de Estevão Monteiro de Paula, apoiada por um time de cientistas e pensadores dos desafios amazônicos, traz à tona repensar a viabilidade do Parque Tecnológico de Produtos Naturais para a Zona Franca de Manaus, uma estratégia de adensar o modelo industrial da ZFM, integrar seu perfil com a oferta regional de insumos, das oleaginosas, fibras e resinas, fitoterápicos, cosméticos, os itens da Nutracêutica…, as bases biotecnológicas de crescente regionalização do modelo, utilizando recursos de pesquisa e desenvolvimento da ZFM. Com estreita parceria com a UEA, por presença nos diversos municípios do Estado, e inteligentemente articulada com as entidades das empresas mantenedoras da pesquisa e desenvolvimento, o CBA ganha fôlego e retoma a credibilidade perdida se consegue atuar com as instituições estaduais, especialmente com a AFEAM, agência de Fomento e suas cadeias produtivas em andamento, e Fapeam, para fomento à pesquisa, uma integração inteligente e inadiável com outras instituições das unidades federativas que formam a Amazônia Ocidental. Voltaremos…

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alfredo.lopes@uol.com.br

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