Candidatos não fazem ideia de como combater o crime organizado

MANAUS – Os candidatos a presidente da República e a governador do Amazonas não fazem ideia ou não tem propostas concretas e convincentes de como combater o crime organizado, que só cresce e se fortalece no Brasil.

Na entrevista que Marcelo Ramos concedeu à TV ATUAL, na quinta-feira, 9, ele toca em um ponto fundamental: para combater a violência e o crime, é preciso oferecer emprego ou trabalho para os brasileiros.

O pré-candidato tem razão. Em um ambiente de pleno emprego se escasseiam as chances do jovem ser cooptado para o crime.

Mas há outro ponto central que os candidatos têm medo de falar ou ainda não se deram conta da gravidade do problema: a corrupção no aparelho estatal.

Sem combater a corrupção nas polícias e no Judiciário, não se resolve o problema, por exemplo, do tráfico de drogas ou do crime organizado em torno do tráfico.

Esse nome é emblemático: crime organizado. Trata-se de uma organização estruturada para cometer crimes. E não é segredo para ninguém que essas organizações criminosas só se mantêm fortes com a participação de forças do Estado.

Em qualquer lugar do mundo onde o tráfico de drogas se transformou em um monstro que ameaça a paz da sociedade, o aparelho estatal estava envolvido com o crime

Ouvi um candidato a presidente da República dizer que toda a polícia sabe onde moram os chefes do tráfico de drogas, e não é nos morros do Rio de Janeiro ou nas periferias das cidades.

Não é esquisito que a polícia prenda pessoas que transportam toneladas de drogas e não sigam o rastro dela para saber quem receberia a “mercadoria”? Porque nunca a polícia chega no comprador e se contenta em prender o transportador?

Numa economia – e na economia do tráfico não é diferente – o produtor só se mantém no mercado se houver comprador para os seus produtos. No caso da droga, não há como vender em prateleiras. Ninguém abre uma loja para oferecer drogas ilícitas. Os produtores só vendem se houver encomenda. Não seria, portanto, mais eficaz usar a inteligência policial para identificar e prender quem encomenda a droga do que prender quem a transporta?

Por que investir inutilmente recursos humanos e financeiros para “evitar que a droga entre nas fronteiras do Brasil”, como pregam governos e candidatos? Não é muito mais barato evitar com os compradores façam a encomenda?

A história mostra que não há forma mais eficiente de se matar um dragão do que cortando-lhe a cabeça. Certamente que isso não acabaria com o tráfico de drogas, mas as organizações criminosas seriam menos poderosas.

Uma proposta razoável de qualquer candidato não deve prescindir de investimentos em inteligência e equipamentos para a polícia investigativa. Não basta aumentar o efetivo das polícias que atuam na repressão e elevar os salários; é preciso que a polícia seja honesta, inteligente e eficiente.

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