Campanha curta e difícil no Amazonas

As eleições já foram marcadas pelo Tribunal Regional Eleitoral. O primeiro turno será no dia 6 de agosto e o segundo, caso aconteça, no dia 28 do mesmo mês. De 12 a 16 de junho serão realizadas as convenções partidárias para formação de coligações e escolha dos candidatos, com registros a serem feitos até as 19 horas do dia 19 de junho. Os pedidos de registros e impugnações deverão ser julgados no máximo até o dia 13 de julho. Como período de propaganda eleitoral estabeleceu-se o espaço de 20 de junho a 4 de agosto, em primeiro turno, e de 7 a 26 de agosto, na hipótese de uma disputa em segundo turno.

Vale destacar, por sua importância, que para a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão foram fixadas datas curtas, de 10 de julho a 3 de agosto, em primeiro turno, e de 15 a 25 de agosto, em segundo turno.

Como não poderia deixar de ser, os prazos estabelecidos revelam-se exíguos, em função da urgência e do próprio tempo reservado às eleições. Assim, pode-se fazer algumas observações, que certamente nortearão o desempenho dos candidatos e suas reais possibilidades. Há de se ponderar, também como relevante, a escassez de recursos, fruto da proibição de contribuições de empresas e do temor da Lava-Jato. Restará reduzido o potencial de postulantes acostumados a azeitar o pleito com campanhas milionárias, sob rigorosa fiscalização da Justiça Eleitoral e dos próprios candidatos.

Se, por um lado, a contenção de gastos beneficia os neófitos ou aqueles de parcos meios materiais, por outro, levará vantagem quem já tiver seu nome conhecido e difundido no seio do eleitorado. Neste ponto, considere-se em posição favorável, na largada e em todo Estado, os candidatos Amazonino Mendes e Eduardo Braga, cujo ‘recall’ é muito forte, pela larga biografia política e administrativa de cada um deles. Na capital, Marcelo Ramos deve de igual modo ser incluído no rol, uma vez que acaba de disputar eleição recente como candidato a prefeito de Manaus.

Como os atos eleitorais serão praticados em prazos apertados e como a campanha será muito estreita, independente dos aspectos financeiros, será impossível cobrir todo o interior do Estado, com seus 61 municípios e sua enorme dimensão territorial. Em consequência, terá maiores possibilidades de êxito quem antes já tiver chegado ao eleitorado, com seu nome e seu passado. Há quem também possa usar a Igreja para alcançar as comunidades mais longínquas, como ocorre com Silas Câmara, que dispõe de estrutura religiosa em diversos municípios. Para os iniciantes ou para aqueles mais focalizados em Manaus, os óbices se mostrarão difíceis de serem vencidos, ressaltando-se que na capital os eleitores se dividirão diante das mais variadas opções políticas.

As pesquisas atuais não tem importância significativa. Guardam um retrato presente e transitório e tendem a situar nas primeiras colocações nomes já inseridos em eleições anteriores ou identificados pelo eleitorado. Na hora do voto, como é óbvio, uma série de outras condições pesarão na escolha. Por exemplo, o envolvimento de candidatos investigados na Lava-Jato, mergulhados até o pescoço em esquemas de fraude e corrupção, será decisivo para afastar da disputa quem no momento ocupa a liderança no pódio do processo eleitoral. Por conseguinte, tudo deve ser lido com bastante cautela, uma vez que, mesmo com prazos abreviados, o processo eleitoral ainda mal engatinha, com fatos ainda não consolidados.

 

paulofigueiredo@uol.com.br

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