Buracos do Distrito I e II: onde está a seriedade do poder público?

Na edição desta quarta-feira, o premiado fotógrafo Ricardo Oliveira retrata na coluna Olho da Rua, do jornal Em Tempo, o abandono do Polo Industrial de Manaus. “Onde estão as calçadas do Distrito Industrial, onde foi parar o dinheiro do contribuinte, tudo entregue ao abandono”.

As chamadas são emblemáticas e exigem imediata resposta do poder público, neste jogo despudorado do ‘toma que o filho é teu’. As questões são escabrosas e a omissão leviana, pois os três poderes se refestelam em impostos a partir das empresas ali instaladas. Por que, a partir de FHC se iniciou o confisco desavergonhado das verbas da Suframa com assentimento da classe política? Por que o governo Lula, que aqui esteve em 17 oportunidades, com governos locais pendurados pelas benesses da bajulação, em lugar de brecar o confisco ampliou e financiou até obras das empreiteiras corruptas no exterior com verbas das taxas pagas pelas empresas para a Suframa? Depois veio Dilma e seus passeios ao luar do Rio Negro, encantada com os mistérios amazônicos, nada fez para reduzir as desigualdades regionais deixando aqui a riqueza aqui produzida?

As gralhas e os macacos de cheiro

O governo Lula até anunciou a recuperação da Rodovia BR-319. Sabe o que aconteceu? NADA!

Reparar as vias do Polo Industrial, cortada por uma rodovia federal, onde a União confisca 54,42% da riqueza produzida pelas empresas ali instaladas…pra quê? Na ocasião, havia um ministro do Meio Ambiente ficado em liderar passeatas em Copacabana e Ipanema para descriminalizar o uso da maconha. Ele abominava a ideia de tratores no coração da floresta, para não afugentar as gralhas e macacos de cheiro. Isso mesmo. Há manifestações do MMA acolhendo os alertas de uma ONG canadense que colocou essas duas espécies na lista de extinção.

Decididamente não somos um País a ser levado a sério. Até que um dia, no auditório deste Cieam, um dirigente do Dnit, órgão responsável pela recuperação de rodovias federais, abriu o jogo. “Trata-se de um jogo de empurra para ninguém assumir responsabilidades. Não há qualquer risco de depredação como apontam os alarmistas. Vejam o estado de conservação da rodovia BR-174 que liga Manaus ao Caribe”.

Transferência de responsabilidades

Todos esperamos que, em seu segundo mandato, a governança da prefeitura assuma suas responsabilidades na eliminação da buraqueira escabrosa do Polo Industrial, pôs é óbvio que ela reconhece nos dados de suas planilhas que a metade da receita municipal sai dali, daquelas ruas escandalosamente destruídas. Estes buracos já ceifaram vidas e causaram prejuízos de toda ordem, onde as ruas, invadidas pelo matagal, favorecem a inevitável escalada da violência tão comum em ruas abandonadas.

O atual prefeito, em seu primeiro dia de governo, no dia 2 de janeiro de 2013, transferiu a Secretaria Estadual de Infraestrutura a tarefa de recuperar as tais vias, com os R$120 milhões repassados pelo Ministério do Desenvolvimento, onde será alocada a Suframa. Não foi nenhuma benemerência de ninguém. Essa verba foi retirada da bolada paga pela indústria para a Suframa, em troca de seus serviços na gestão dos incentivos. E vejam que se trata de verba transformada em imposto o que é inconstitucional. A área é incentivada. Mesmo assim, quando se tratam de problemas inerentes ao exercício da Autarquia, as empresas não se opõem a colaborar.

Ocorre que, há mais de 20, FHC instalou o confisco, exacerbado por Lula e Dilma, levando para custeio da máquina pública, pesada, ociosa e perdulária, o dinheiro que a Carta Magna designa para reduzir as desigualdades regionais. O atual governo, para não ficar por baixo, tentou jogar nas costas do Amazonas as marmeladas de seu Acordo com os Caminhoneiros. Vade retro, Belzebu!!!

Invista em Manaus e proteja a floresta

Quanto ao Estado, beneficiário de uma robusta poupança anual da Indústria, que ultrapassa R$ 1,4 bilhão, para UEA, Fundos de Turismo e das Pequenas Empresas, a situação é emblemática. Desde que assumiu, o atual governo prometeu a esta Entidade aplicar nos rigores da Lei as verbas do FTI, Fundo de Turismo e Interiorização do Desenvolvimento, algo que gira em torno de R$ 800 milhões/ano, hoje, integralmente, aplicada em custeio da máquina pública.

Por que não investir na recuperação urbanística e civilizatória de nosso ganha-pão diário? Por que não atrair novas empresas com o apelo ‘invista em Manaus e ajude a floresta a ajudar o mundo a respirar melhor!’

Ora, que lugar do mundo tem um polo industrial com tantas empresas de porte, fincado no coração da floresta e margeado por um dos fenômenos naturais mais arrojados e surpreendentes do mundo, o Encontro das Águas. Pois é: quem já andou pela Torre da Embratel, hoje entregue as ruínas, matagal e ponto de encontro de traficantes, se desespera com o tamanho da insensatez de nossa governança. Temos uma maquete dos sonhos, desenhado por Oscar Niemayer, em 2010, na gestão Serafim Correa. Sabe em que deu a iniciativa: em absolutamente nada. Por que nossos políticos só pensam naquilo? O mesmo se diga com a irresponsabilidade coletiva em relação a reverter a tragédia dos buracos, das verbas recolhidas e desviadas, do despudor reinante, da insensatez do “Toma que o filho é teu,”.  Até quando?

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. cieam@cieam.com.br

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