Brasil desperta para Bioeconomia na Amazônia – Parte II

É preciso saber as premissas políticas para esta mudança. Klaus Schwab retoma o contexto histórico onde se dá esta mudança a um tempo sistemática e profunda. A química e a física com suas revelações, numa leitura digital e biológica falam por si dos econômicos e do imperativo do pacto institucional, da revolução política que se impõe, para assegurar novas representações do interesse social. E se as mudanças profundas, como big data, economia compartilhada, internet das coisas, robótica avançada, inteligência artificial e neurotecnologias já deram a caras, a política precisa limpar a sua, constranger sua conduta e converter-se ao saneamento das próprias condutas. E se o objetivo da Quarta Revolução é gerar maior conscientização sobre a abrangência e a velocidade da revolução tecnológica e de seu impacto multifacetado, a política precisa abandonar a era cavernosa da contravenção, criar uma estrutura de reparos, purificação e regeneração de atitudes. A coisa pública, o interesse coletivo, uma obviedade tão sagrada e inteligente para que todos possamos ascender como civilização, e para que todos possamos pensar em mudança como premissa da solidariedade e da fraternidade geral que todos, verdadeiramente, almejamos.

O Brasil precisa olhar o Brasil

“Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”. A descrição de Schwab destoa da distorção política e institucional do Brasil de hoje, contaminado por práticas sombrias no trato do interesse público. A nação se levanta contra o retrocesso e a História pede a todos que façamos a revolução dos costumes políticos em nome da dignidade e da civilidade do país e de sua gente. O jornalista Marcelo Coelho, em artigo publicado nesta segunda, dia 28, faz um retrato das dificuldades do Brasil em entender e gerenciar o Brasil. ” Do século 19 vem o legado da desigualdade social, filha da escravidão tardiamente abolida, e de uma estrutura fundiária concentradora, baseada na apropriação de terras públicas pelos mais fortes. Se na primeira algo começou a mudar com políticas como o Bolsa Família, a segunda ainda conta com a força da bancada ruralista no Congresso, como se pode ver pelas sucessivas vitórias obtidas em torno do Código Florestal. O que nos leva direto para o século 18, se não para o 16: os brasileiros continuam viciados em desmatamento, como nossos pais fundadores portugueses. Apesar da queda acentuada nas taxas de destruição da Amazônia desde 2005, ela volta a crescer e a preocupar sobretudo agora que o cumprimento de nossos objetivos para o Acordo de Paris tanto dependem de contê-la para reduzir as emissões de carbono. O Brasil deveria estar discutindo como aproveitar suas vantagens para liderar a bioeconomia, a energia eólica (ventos) e fotovoltaica (luz solar), a integração entre lavoura, pecuária e floresta.”

ZFM presta contas

Para gerar recursos da nova economia é essencial resgatar e adensar o polo industrial de Manaus, fonte dos recursos que podem viabilizar os dois parques tecnológicos, sobretudo o de biotecnologia. Portanto, apostar em Bioeconomia é um amontoado de benefícios: adensar o polo industrial existente, especializado indiretamente em defender/proteger a floresta, consolidando e regionalizando a indústria 4.0, a quarta revolução industrial, a bioindústria, ou seja, a produção industrial que agrega ciência, tecnologia e inovação, a partir do aproveitamento inteligente do imensurável patrimônio genético da Amazônia, onde borbulha 20% dos princípios ativos da Terra. E de quebra, no médio prazo, reduzir a dependência fiscal, ao adensar o polo industrial local com insumos regionais, A Suframa, em parceria com as entidades do setor produtivo, prepara um debate simbólico de celebração dos 50 anos da Zona Franca de Manaus, a ser realizado no início do próximo ano, exatamente com os atores da academia e da economia que defendem e entendem a urgência estratégica, climática e diplomática dos negócios da biodiversidade. De quebra, irão prestar contas de 12% da renúncia fiscal que aqui utilizamos – o Sudeste utiliza 60% do bolo nacional – aos quais respondemos com os acertos da Zona Franca de Manaus, seus trabalhadores e investidores, sempre dispostos a encontrar/consolidar caminhos para a proteção da floresta, o equilíbrio do clima e a oferta de emprego e renda que podem tirar o Brasil da crise.

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. cieam@cieam.com.br

 

Seja o primeiro a comentar on "Brasil desperta para Bioeconomia na Amazônia – Parte II"

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.